Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado se comportam como uma ilha.
E o pior é que não há quem os fiscalize. Deitam e rolam com o dinheiro do contribuinte como se não estivessem submetidos a qualquer controle.
Decidiram ontem os magnânimos autoconcederem-se por resolução administrativa, um reajuste no auxílio-saúde dos conselheiros de 15% do subsídio.
Até mesmo para um conselheiro substituto que reside literalmente no Rio de Janeiro, com salários de R$ 40 mil e que há um ano não é visto batendo ponto no TCE.
Considerando o subsídio de R$ 41 mil (de conselheiro e procurador de contas), suas excelências terão R$ 6,150 mil mensais do contribuinte para ajudarem na doença.
No Estado, cerca de 95% da população (aquela que paga os impostos que banca os salários) é jogada nos corredores dos hospitais públicos.
Como os senhores conselheiros não mexeram no auxílio saúde dos servidores (R$ 1,2 mil) – que pela resolução dependerá da vontade do presidente e da disponibilidade orçamentária – haveria, ainda, uma discricionariedade sobre direitos.
Os conselheiros poderiam adoecer mais que os servidores. Ou melhor tratamento.
O TCE Tocantins é o órgão que desde março último não publica no portal das transparências o valor dos penduricalhos que recebem seus membros.
No mês de fevereiro, por exemplo, o presidente da Corte recebeu R$ 325 mil de indenizações e R$ 55 mil de remunerações. Valor dos proventos: R$ 380 mil
No mês de janeiro, o mesmo conselheiro recebeu R$ 100 mil de indenizações e R$ 79 mil de remunerações. Valor total: 179 mil mensais.
O subsídio legal é R$ 41 mil.
O TCE em março e abril só publicou os rendimentos dos conselheiros. O presidente recebeu R$ 55,8 mil em março e mesmo valor em abril.
Nesta quinta-feira, o Cadastro Único de benefícios do governo federal registra 916 mil cadastrados.
Destes, 367 mil pessoas em estado de pobreza e 263 mil de baixa renda.
Ou: 630 mil pessoas com renda de até meio salário mínimo mensais.
E os políticos estão nas ruas, vamos lá, povão, vamos votar em "nóis" que o TCE garante. Vamos lá prefeitos!! Com "nóis" as contas não ficam, passam!!!



