Há uma conversa mole no meio político (aliás, intuo só no círculo de Eduardo Siqueira) tentando incensá-lo. O deputado estaria sendo vítima das maledicências políticas. No seu próprio grupo, entenda-se. Haveria tão somente uma disputa de grupos no governo em que, se se trata Eduardo como vítima, os outros nada seriam mais que algozes. Eduardo o cordeiro imolado, os outros o mal encarnado.
As razões, no entanto, tem outro sentido para finalidades que são óbvias: o descrédito do deputado no meio político e institucional e, claro, as dificuldades para se nomeá-lo em cargo vitalício no Tribunal de Contas ou numa Secretaria. No TCE não há vagas e seria certamente um escândalo nomeá-lo fiscalizador de contas públicas. E no governo, puxá-lo sem que um suplente de oposição ocupe a sua vaga no Legislativo.
Seria influência da representação dos votos? Pela matemática, não. Mesmo filho do "eterno governador",- que renunciou para possibilitar-lhe candidatura ao governo - Eduardo obteve apenas a 10ª votação para deputado estadual (17,9 mil votos).
Só aí existiriam nove com maior rerpresentação política na frente.. E o que dizer da votaçao dos deputados federais e senadores!! No mesmo pleito!!! Ou seja, o eleitor (dono da representação) colocou Eduardo no seu devido lugar, mas pequenos (e barulhentos) grupos tentam catapultá-lo fazendo uso de um sentimento que não tem correspondência com aquilo que diz representar. Cria e recria narrativas, manipulando a história indefinidamente, tratando-a como refem de um grupo político que o eleitor já deixou para trás depois de conceder-lhes muito.
Ou seja, o siqueirismo reluta em aceitar seus erros e deixar a história escrever sua própria narrativa. E aqueles que nele padeceram não conseguem desvencilhar-se do que na psiquiatria denomina-se síndrome de Estocolmo. Ou então de dívida eterna.
Leio que Eduardo, agora, estaria amadurecido auxiliando Wanderlei Barbosa no governo. Quem conhece por dentro o siqueirismo (e também Eduardo) sabe que, se isto ocorre, Eduardo estaria determinando as ações políticas e administrativas do governo, como fazia nas administrações de seu pai, na falta de conhecimento das miudezas políticas da máquina por parte de Wanderlei.
Não é um Eduardo diferente este que há duas semanas em reunião de deputados no Palácio teria apontado o dedo para outro deputado, Fabion Gomes, (um dos mais longevos deputados do Legislativo do Estado) do mesmo grupo de que faz parte e de apoio ao governo, por opções partidárias do parlamentar eleito decidido a permanecer, então, no PL:
“Se você ficar lá, se prepara porque depois do dia 2 vou começar a tirar um por um de sua chapa, tiro 11 de lá, você sabe como eu sou”..
Este aí é o mesmo viés da campanha de 2006 quando o grupo de Eduardo, que disputava o mandato de senador com Kátia espalhou nas madrugadas pelas ruas do Estado folhetos em preto e branco com a foto de Kátia e os dizeres “Kátia Deu”.
Ou que plantava notas em revistas de renome nacional apontando de forma leviana e covarde que Kátia era detentora de qualidades nao publicáveis. Numa dessas revistas de circulaçao nacional, a colunista que se prestava ao serviço do siqueirismo foi demitida.
E que Kátia retirou do ostracismo em 2020, para trazer de volta Siqueira e o governo novamente às mãos de Eduardo. E deu no que deu. A mesma Kátia que Siqueira deu bulhufas no governo, atendendo-a com perfumarias que se deduz em função da afetação do filho sobre a senadora. E que fez com que ela rompesse e migrasse para o MDB onde ajudou eleger o antípoda siqueirista: Marcelo Miranda a derrotar o candidato de Eduardo e Siqueira: Sandoval Cardoso.
Sem o pai, que não apita mais como antes, Eduardo retoma nova face vitimizada. E pior: não entendida, mas compreendida por muitos como merecedora da compaixão que ele, Eduardo, não teve com aliados, que dirá tivesse com adversários.


