O pais beirando os 570 mil mortos pelo negacionismo do governo no Covid-19, inflação beirando os 10%, gasolina a R$ 6, gás de cozinha a R$ 120, quilo de carne a R$50 e o presidente da República convocando tanques militares para entregar um convite de uma operação militar na manhã em que o Congresso promete derrubar o voto impresso.
A qualquer cidadão que conheça a história política do Brasil ou tenha o mínimo de entendimento político, não haveria dúvidas daquilo que estaria em curso: a construção de um golpe na democracia.
Afinal, a mesma operação militar acontece há três décadas, Bolsonaro governa o país há cerca de três anos, e, pela primeira vez, militares são convocados para entregar o tal convite com tanques de guerra estacionados em frente ao Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.
Enquanto deputados, senadores do país e até embaixadores de outras nações democráticas vão às redes e ruas protestar contra a aberração, no Estado os congressistas fazem um silêncio tão envergonhado quanto denunciador de suas convicções e interesses.
Uma geração do novo Estado que difere frontalmente daquela que lutou pela sua criação. Jovens que foram presos na década de 70 e exilados por enfrentarem a ditadura militar em defesa de um país democrático.
A história retornando como farsa.


