Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Superdimensionar pesquisa e amplificar empate técnico de Wanderlei com Caiado é um desserviço. Enquanto Goiás pede recuperação fiscal por não conseguir pagar dívidas, Tocantins registra superávit e equilíbrio nas contas na metade do tempo de governo

08/01/2024 3398 visualizações

O Estado arrecadou de ICMS na primeira semana de janeiro de 2024 o montante de R$ 13,1 milhões de ICMS. A meta do mês é de R$ 411 milhões. Recolheu em dezembro o total de R$ 470,1 milhões. Só ICMS.

Iluminar o desempenho ajuda a desmitificar a comparação disseminada por apoiadores do Palácio Araguaia entre Wanderlei Barbosa e Ronaldo Caiado. Goiás e Tocantins.

Só pode ser o a arraigado complexo de colonizado inferior, onde Goiás continuasse como o colonizador e Tocantins sua colônia. O Caiado branco e rico da dinastia do caiadismo e o negro e sertanejo Wanderlei Barbosa. Poderiam fazer a comparação com os Estados de mesmo porte da região Norte, mas que nada!

Na comparação, estariam num mesmo plano referencial. Diferenciaria-os apenas os números. Mas o sertanejo saira da senzala e chegava à casa grande. Já era de igual para igual.

Alguns chegaram a dizer que Wanderlei e Caiado estariam empatados tecnicamente (72% a 69%) dando mais fundo na comparação indevida porque compara desiguais. Uma leitura com graves distorções, só possível no imediatismo brucutu dos palanques eleitorais. E no desprezo ao raciocínio.

E, sob o ponto administrativo, prejudicaria, por óbvio, o governador do Tocantins. Ainda que se estivesse tentando impulsioná-lo.

Primeiro porque Caiado governa Goiás há cinco anos (entrou no 6°) – foi reeleito em 2022 – e Wanderlei governa há apenas dois anos (entrou no 3°). Comparar 60 meses de administração com 24 seria necessário uma métrica escalafobética.

Em segundo lugar, Caiado pegou Goiás na letra C na Capag (2019), manteve a C em 2020 e 2021, passou para a B em 2022 e em 2023 seguia para cair novamente à C (vai mal na poupança corrente, liquidez e endividamento). Não caiu porque pediu para entrar no Regime de Recuperação Fiscal no ano passado.

Deve (e não tem condições de honrar) o equivalente a R$ 2,4 bilhões só de serviço da dívida (conforme nota técnica apresentada pelo governo à STN). O total de R$ 1,1 bilhão só de juros devidos.

Caiado alegou à STN perdas de ICMS de R$ 2,1 bilhão só no primeiro semestre de 2023. E que a STN concorda com apenas R$ 1,08 bilhão. Em 2022, Goiás teve um resultado primário negativo de R$ 1,470 bilhões. Os números seguem.

E Wanderlei? Pegou o governo do Tocantins na Capag C (onde estava há décadas) em outubro de 2021. Subiu para a Capag B (2022) e a manteve B em 2023. Na metade do tempo de administração de Caiado em Goiás.

Encontrou Wanderlei o Estado com uma dívida consolidada de R$ 4,753 bilhões e fechou outubro/23 com uma DC de R$ 3,747 bilhões. Uma redução de R$ 1 bilhão em dois anos.

Enquanto Caiado reclama da União perdas do ICMS para o desequilíbrio fiscal (na proposta para ter o Regime de Recuperação Fiscal), Wanderlei que sofreu os mesmos cortes de leis iguais, viu suas receitas tributárias aumentarem no período.

Viu a arrecadação tributária passar de R$ 5,481 bilhões (2021) para os R$ 6,5 bilhões com que fechou 2023.

E até outubro do ano passado, ao contrário dos R$ 1,4 bilhão de resultado primário negativo do governo de Caiado, Wanderlei registrava um resultado primário positivo de R$ 360 milhões.

Ou seja: dizer que Caiado e Wanderlei tem empate técnico, só se for no tapetão como costumam jogar determinados institutos de pesquisa.

É um jogo jogado também, tudo indica, pelos apoiadores do Palácio Araguaia que podem trazer ao governador soma negativa diante de números tão positivos.

E que, do ponto de vista administrativo e fiscal, o colocam em melhor situação do que o governador goiano.

Mas para a política da raia miúda o que vale são os outros números: aqueles buscados na aceitação das redes sociais.

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1 Comentário(s)

David Monte 12/01/2024

Sem comentários! Excelente artigo, desmistificando a métrica rasteira usada para "ressuscitar" o Caiadismo já obsoleto!

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