Falta muito chão pela frente mas a chapa majoritária do governo não teria maiores dúvidas: Wanderlei Barbosa, Mauro Carlesse e um terceiro para vice-governador. Só tem uma vaga para Senado na disputa. E outra de governador. As circunstâncias concorrem para o apoio de Cínthia Ribeiro e Dorinha Seabra. Carlesse já teria Carlos Gaguim e Osires Damaso. E distanciamento de Eduardo Gomes.
Do outro lado, os senadores Eduardo Gomes e Kátia Abreu já estão se falando. Com o aval de outro senador, Irajá Abreu. Fala-se numa ida de Gomes para um Ministério nos próximos meses, aumentando-lhe o cacife. E possibilitando a ascensão do suplente, um dos maiores financiadores de sua campanha. Com Gomes, Kátia aproxima-se mais de Bolsonaro. Uma relação que já existia entre o filho Irajá Abreu e o filho senador do Presidente.
Gomes, entretanto, mantém-se alinhado com Ronaldo Dimas e Laurez Moreira, o que implica a possibilidade de problemas para uma negociação com Kátia que teria, ainda, o ex-prefeito Carlos Amastha que os bastidores entendem estar mais propenso a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Não que Kátia não se entenda com Dimas, mas pela matemática das vagas.
Opção que não tem Ronaldo Dimas em função da reeleição do filho, Tiago Dimas. E também caso Eduardo Gomes decida-se por disputar o governo. Dimas certamente não lhe faria oposição e aí a briga seria com Kátia Abreu.
Para Gomes, uma disputa ao governo na metade do mandato seria menos arriscado. Oportunidade que perdeu Kátia Abreu em 2010 (na metade do primeiro mandato e em alta) quando abriu para trazer de volta Siqueira Campos. Gomes enfrenta agora o que não esperava: uma escolha diferente do Palácio.
Faltariam aí o deputado federal Vicente Jr. e o ex-senador Vicentinho Alves, hoje diretor do Ministério do Turismo. Os Vicentes são próximos de Jair Bolsonaro há muito.
O fator-Lula pode levar o PT a tentar ser o protagonista da história. Tem Célio Moura e Paulo Mourão. Este por já ter disputado cargo majoritário mais recentemente (Célio também já disputou o governo) pode sair-se melhor na fita.
Muito embora Lula possa pretender um PT genuíno em detrimento de um PT mais pragmático de Paulo Mourão, que seria certamente mais condizente com o PT de Lula que abarcou o capitalismo em desfavor do marxismo-leninismo.
Ou seja, a oposição está confusa como é normal nas atuais circunstâncias quando os partidos se colocam à mesa, cada um querendo ser o protagonista, esperando o tempo passar para definições mais concretas.
Pode acontecer tudo, inclusive nada. E se isto ocorre, favorece por gravidade o projeto governista em curso atualmente.


