É óbvio que se está diante não só de uma pandemia. Mas de uma disputa política. A troca de insinuações públicas ontem entre a Prefeitura de Palmas e o Governo do Estado (com sinal de afastamento e não de aproximação) é inominável (quase um escracho) para uma cidade que deve ultrapassar nesta quarta à tragédia de 50 mortos (13%) e seis mil contaminados (22% do Estado) num prazo de 120 dias.
A segunda em número de casos e mortes. Mas a primeira em número de pessoas que podem vir a ser contaminadas (300 mil pessoas) e enfrentando um pico de crescimento nos casos, contra a redução em Araguaína, onde também o governo deixou o prefeito à míngua.
A prefeita entregando (nas redes sociais) os pontos: dizendo que não pode fazer nada sem o governo (no lockdow imprescindível) e que as UPAs não tem como atender média e alta complexidade (UTIs Covid).
E o governo circulando nota, com certa dose de ironia, que Palmas tem muito a contribuir com o Estado no atendimento à Covid. E que se a prefeitura quiser investir os recursos a ela destinados pelo Ministério da Saúde nas UTIs e para montar hospitais de campanha, os recursos serão bem-vindos.
O governo teve depositados na sua conta do Banco do Brasil (de Ajuda Financeira aos Estados e das PFEC I e II) o montante de R$ 566 milhões de 13 de abril a 13 de julho. A prefeitura da Capital teve, no mesmo período e das mesmas fontes, depositadas no Banco do Brasil, o total de R$ 42,6 milhões.
E não se tem hospital de campanha, UTIs Covid-19, leitos e, pelo visto, nem diálogo por parte dos responsáveis diretos (pagos pela população) para dar solução ou pelo menos amenizar os problemas de sua excelência o povo que vê contaminarem-se e irem a óbito familiares e amigos no dia-a-dia.
É claro que em qualquer país civilizado, ao invés de se baterem nas redes sociais, governo e prefeitura deveriam obrigatoriamente juntar-se para combater o vírus.


