Como é notório, o futebol profissional no Estado, apesar dos quase 30 anos de existência, é capenga. Os clubes, não raro, pagam até os árbitros das partidas. O portal UOL desta sexta revela que a Federação Tocantinense de Futebol é uma das cinco no país que apresentaram déficit em 2019: R$ 193,8 mil As demais são: Sergipe (R$ 732 mil), Bahia (R$ 179 mil), Acre (R$ 107 mil) e Amapá (R$ 82 mil).
O UOL erra no ano: esse déficit (conforme balanço da FTF) é de 2018. Em 2019, a entidade contabiliza um superávit de R$ 18 mil. Sabe-se lá como.
No balanço da FTF publicado na CBF, a entidade teve uma receita líquida de R$ 1 milhão e 596 mil em 2019. Os repasses foram de R$ 1 milhão e 92 mil. Outros R$ 487 mil foram de taxa de serviços. A Federação é presidida pelo ex-senador Leomar Quintanilha desde o início dos anos 90.
Pois bem: no ano passado, dessa receita aí, a FTF contabilizou R$ 866 mil com despesas de pessoal. Ou seja, 80% das receitas da Federação foram gastos com funcionários. Com despesas ligadas diretamente ao futebol, a FTF contabiliza algo próximo de R$ 170 mil (doações, incentivo e despesas desportivas).
Comparando com 2018, o balanço da FTF fica mais absurdo. Naquele ano, a Federação teve uma receita líquida de R$ 1 milhão e 673 mil. Ou seja: 4,8% superior aos R$ 1,596 milhões de 2019. Ainda assim, a Federação elevou seus gastos com despesas de pessoal de R$ 807 mil (2018) para os R$ 866 mil de 2019. De outro modo: enquanto caía a receita, elevavam-se as despesas com salários. Qualquer semelhança com os governos, nos vícios quanto nas virtudes, não é mera coincidência.


