Oportunismo não é mercadoria rara entre os políticos. Em meio aos esforços dos governos, empresários e sociedade de modo geral para combater a pandemia do coronavírus que já causou mais de seis mil mortes no planeta, o deputado Carlos Gaguim teve a coragem que muitos não tiveram: propôs uma emenda constitucional para prorrogar os mandatos dos atuais prefeitos até 2022, fazendo-os coincidir com as eleições estaduais.
Deputados e senadores sabedores da inoportunidade de jogar uma pauta dessas no Congresso na maior crise de saúde enfrentada pelo país, já discutiam o assunto internamente sem, no entanto, ocupar Câmara e Senado com um projeto demagogo desses que só beneficia Jair Bolsonaro na medida em que desvia a classe política de suas obrigações: discutir ações que pelo menos mitiguem os efeitos do covid-19.
Não vou nem citar os problemas de uma EC dessas, seus questionamentos no STF, as implicações na lei eleitoral e partidária. Do ponto de vista político, um golpe. Os atuais prefeitos aliados dos deputados e senadores teriam mais dois anos para cooptar eleitores aos parlamentares, com o apoio da máquina governista. Um mandato de seis anos para esquentar a campanha dos deputados, senadores e governo daqui a três anos.


