O senador Renan Calheiros (MDB) foi na jugular nesta manhã (UOL): ou Lula acaba com o orçamento secreto ou o orçamento secreto acaba com ele.
É esse grolôlô que parece estabelecer as medidas da relação do Congresso com o presidente eleito Lula.
O Congresso eleito em outubro tem maioria bolsonariana até aqui, mas é uma maioria fluída que se move conforme os interesses do centrão.
Se Lula deixar o orçamento secreto (emendas de relator) como está, o centrão continuará com sua máquina fisiológica de comprar parlamentares com dinheiro público, como fez Bolsonaro no seu governo.
Para se ter uma idéia da feira: o orçamento de 2023 encaminhado por Jair Bolsonaro prevê emendas parlamentares de R$ 38,5 bilhões. Um valor 8,7% superior aos R$ 35,6 bilhões de 2022.
Só que destes, R$ 19,4 bilhões são destinados ao orçamento secreto (emendas de relator).
Um valor maior que os R$ 19,1 bilhões para as emendas constitucionais e transparentes (individuais impositivas e de bancada). Ou seja, mais dinheiro no escuro do que no claro.
Aliás, só no Brasil mesmo!! Além das emendas de deputados e senadores, um volume destes como emendas do relator do orçamento para gastar com o que e com quem ele quiser, sem a necessidade de publicar oficialmente sequer os deputados e senadores beneficiados.
Um escracho. E o governo não tendo recursos para bancar os R$ 600 do auxílio Brasil no próximo ano.


