Não se pode deixar de reconhecer que transparência pública não é só uma necessidade no governo, mas uma obrigação legal.
Daí importar a comunicação entusiasmada ontem do governo da baixa taxa de ocupação registrada no sábado nos 18 hospitais do Estado.
O problema é que a taxa de ocupação não estaria relacionada, por óbvio, de forma imediata ou mediata, ao governo, como reconhece o próprio comunicado.
Isto levaria ao raciocínio de que a menor taxa de ocupação estaria ligada, também, à não procura pelos hospitais públicos por vários motivos.
Dentre eles, é razoável avaliar, a desconfiança quanto ao atendimento. E aí o governo estaria operando contra a ocupação no que o comunicado seria uma confissão pública.
Do contrário, seria ter que a população quanto mais o sistema de saúde afunda sem remédios, fila de cirurgias e que tais (como todo dia se publica), mais teria melhorado sua saúde.
No mesmo comunicado, o governo celebra a infusão de 53 quimioterapias no dia 16 de janeiro, quando todos os pacientes entraram e nenhum ficou sem atendimento.
Se realça o atendimento do dia 16 de janeiro (em que ninguém ficou para depois) e considerando que quimioterapias tem prazo (dia) determinado para infusões, o comunicado do governo termina por explicitar outra confissão: regra geral os pacientes com câncer não estariam todos sendo atendidos no dia pré-determinado para a sua quimioterapia.
Ou seja: estariam ficando para outro dia. Com o câncer agradecendo a colaboração.
Ano eleitoral (e vontade política para mudar realidades) tem dessas coisas.


