A senadora Kátia Abreu fez circular nota de esclarecimento ontem contra especulações de que trabalharia em desfavor do deputado Eduardo Siqueira no grupo governista. Kátia, pelo contrário, disse que reconhecia o trabalho do deputado no grupo.
Katia, como é óbvio, mordeu a isca que, tudo indica, teria como finalidade justamente provocar sua reação que fortaleceria, por gravidade, Eduardo Siqueira. Não haveria, por certo, a Kátia outra saída para refutar a mensagem que não realçar seu apoio à liderança de Eduardo.
Se não o reforçasse, seria dada como verdadeira a premissa refutada. Isto para o público externo porque internamente a necessidade da negativa seria a afirmação daquilo que se pretenderia negar: indícios de discórdia no grupo o que em política se denomina racha.
E realçaria, na negação, a afirmativa supostamente refutada pela parlamentar. Afinal, em política, defender o que não se fez é amplificar o não dito. E não o dito. Uma armadilha tão velha mas que ainda causa efeito esperado na esperada falta de domínio de emoções.
O deputado, não custa lembrar, é tido nos corredores palacianos como líder dos deputados. Os mesmos que, há dois meses, levantaram-se contra Senadora na chapa majoritária de Wanderlei.
Eduardo Siqueira, aliás, tem propalado que não é candidato a nada. Deve ter lá seus motivos. Isto por si somente negaria a tese contra a Senadora (que teria sido veiculada por jornalistas ligados ao Palácio) que pode disputar a reeleição. E brigar em silêncio, convenhamos, não é uma das características da parlamentar. Mero raciocínio lógico.
Enfrenta o deputado, entretanto, isto sim, um paradoxo político: franjas palacianas cuidam de propagar sua liderança em acordos políticos de Wanderlei mas teria sido o parlamentar encaminhado, como fartamente divulgado, a um empresário com contratos públicos (só no Legislativo são dois) para acertar sua participação no governo. E o que dizer da emenda constitucional para redução do prazo de licença parlamentar e posse do suplente? E dos 10% das emendas para eventos?
Não é sinal de força política. Nem de facilidades nas alianças de Wanderlei na reeleição.


