Com um ano de antecedência, uma pesquisa eleitoral em Porto Nacional vaticina: se fosse amanhã fosse hoje, o prefeito Joaquim Maia perderia de lavada para o ex-prefeito Otoniel Andrade.
Pesquisas eleitorais devem obedecer prazos e critérios estabelecidos em lei. Deve conter metodologias científicas e um técnico responsável pelo levantamento e organização dos dados. Fora disso é crime e trapaça eleitoral.
É uma questão que diria respeito aos empresários e à Justiça Eleitoral. Ocupo-me dos seus desdobramentos. Os analistas políticos da pesquisa sugerem que, com o presidente do Legislativo, Antônio Andrade (seu irmão) não tem pra ninguém numa disputa com Otoniel.
Otoniel tem serviço prestado na cidade onde suas administrações seguiram o assistencialismo e o populismo. Tem votos. Politicamente, entretanto, sua práxis não evoluiu. Mas se avalia que continua dando-lhe resultados, é plausível (e compreensível) que continue dela fazendo uso e absorvendo os efeitos imediatamente correspondentes.
Pesquisas eleitorais antecipadas servem-se, não raro, como instrumento de campanhas ilegais por que fora do prazo da legislação. No caso específico, distorce, numa equação estatística, o ânimo da cidade o que dá ao expediente a característica de um elemento colocado para ter amplificação de fora para dentro, fortalecendo o que se quer internamente dar musculatura.
A pesquisa foi publicada há duas semanas sem maiores consequências. Seja pela avaliação de critérios ou a eventual e suposta falta deles. Nos últimos dias foi impulsionada por setores palacianos: ou seja, já teria cumprido em parte seu objetivo.
Na prática, a pesquisa está a informar que a situação do Hospital Regional de Porto, a falta de ambulâncias decentes, a interdição da ponte, o retorno da balsa e a não transferência de recursos ao município não tenha afetado a população. Pior: que a população atribua esse caos ao prefeito.
Na contramão da melhoria dos serviços públicos na cidade, nos postos de saúde municipais, da limpeza da cidade e na administração do volume de dívidas que teria herdado do ex-prefeito há dois anos. Um trabalho que a população tem tido conhecimento pela eficiente comunicação que tem realizado das obras de sua administração.
Tudo com a também pública motivação do Legislativo (seis deputados estaduais e o presidente do Legislativo tem a cidade), do vice-governador e do governador que terminam por transformar uma disputa política municipal, numa questão de governo. Tudo muito explícito, sem qualquer disfarce. E, evidente, observado pela população que tem tendência (na filosofia) a ficar com o que considera mais fraco, injustiçado.
Um equívoco político surpreendente: estão transformando Joaquim Maia em vítima o que não é a estratégia que poderá trazer melhores resultados a Otoniel. No caso dele superar os problemas jurídicos que enfrenta de suas administrações anteriores que podem deixá-lo ilegível.


