Sábado, 24 de Out de 2026

Servidores do transporte coletivo reivindicam correção salarial das empresas e conta econômica e política cai no colo do poder público!!

23/09/2021 417 visualizações

Os servidores das empresas de transporte coletivo da Capital anunciam paralisação para a próxima segunda-feira.  Até agora cumprem a legislação. Anunciam com antecedência e garantem os 30% de funcionamento. A reivindicação é indiscutível: a reposição de 10,22% da inflação. O trabalhador não é obrigado a aceitar a mais-valia do patrão.

Muitas categorias também não tiveram a correção inflacionária no período (que o digam os servidores públicos estaduais) mas não tem o canhão do transporte coletivo de uma capital nas mãos em ano pré-eleitoral.

Como é óbvio, levando transtornos à população de baixa renda (a maioria que faz uso do meio de transporte) transfere-se, politicamente, à prefeitura a questão que, em tese, seria de natureza meramente trabalhista. Um embate entre patrão e empregado.

Sentindo cheiro de queimado pelo aperto do nó no pescoço do contribuinte (e eleitor) já sufocado pela crise econômica do Covid-19, Cínthia Ribeiro tomou as dores: não autorizou o reajuste de 79% nas tarifas de transporte coletivo requerido pelas empresas;

Mas topou cobrir com subsídios a diferença do reajuste. Não aumentou o ganho, mas retirou das costas do empresário a despesa da correção, ainda que tenha colocado a carga nas costas do contribuinte já que a prefeitura não fabrica dinheiro.

É a demora na adequação orçamentária que impulsiona a greve, onde não é implausível a dedução de que os patrões estivessem ao lado dos empregados no movimento paredista que está fadado a não se concretizar dado o processamento do subsídio que já tem aprovação do TCE. Depende agora só da burocracia administrativa legal.

Do ponto de vista do objeto, os empresários (como a maioria dos empreendedores) tiveram perdas na pandemia. Basta ver que no ano passado 10 milhões passaram pelas catracas (que é onde o empresário tem o dinheiro). Os dados são dos próprios empresários.

Isto aí significa 833 mil em 30 dias, 27 mil a cada 24 horas. Considerando que cada pessoa vai e volta, tem-se apenas 13 mil pessoas fazendo uso diário do transporte coletivo no ano passado. Muito pouco (4,2%) para uma cidade de 306 mil habitantes.

Essa equação aí ficou, entende-se, prejudicada no primeiro semestre na avaliação dos 79% de reajuste reivindicado em função da estratégia dos próprios empresários que apontaram um prejuízo de R$ 15 milhões  (não comprovado pela Agência de Regulação) e um subsídio de R$1,8 milhões mensais.

A Prefeitura acena com subsídios de R$ 2,4 milhões anuais (não está fechado mas a discussão gira entre R$ 200 mil a R$ 300 mil para cobrir os 10,22%).

Situação que pode dar fôlego ao Executivo até o próximo ano quando será realizada licitação para nova concessão que já está aí há mais de 30 anos com ganhos (antes da pandemia) relevantes aos empresários. Bassta citar que de 2009 a 2019 elevaram as tarifas em 100% contra a inflação no período de 54%.

Ou seja, tem gordura para queimar.

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