Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Sepse na saúde pública: mulheres mandadas dar luz em casa, crianças sem UTIs, mortalidade infantil cresceu 30% em 2018 e dengue 1000%, números proporcionais à queda de imunização de 18% no ano passado!! E 58% em quatro anos!!!

luizarmandocosta 07/04/2019 1084 visualizações

Quando o secretário de Saúde, Renato Jaime, discorreu aos deputados, sem qualquer constrangimento, no Legislativo em dezembro passado, que a mortalidade infantil tinha crescido cerca de 30¨% entre 2017 e 2018 (já no governo Mauro Carlesse) e que os indicativos de dengue e Chikungunya tinham se elevado a 1.000% no período, a informação não gerou nenhuma reação. Era como se o Secretário estivesse convidando os parlamentares para tomar um açaí alí na esquina do outro lado da praça dos Girassóis!!

Daí também sentirem-se de certa forma anestesiadas a população, parlamentares e instituições públicas, diante, por exemplo, da situação jogada em rede nacional na noite de ontem (Jornal Nacional/Rede Globo), em reportagem da correta jornalista Ana Paula Rebhein, de que na Maternidade Dona Regina (a maior maternidade pública do Estado) grávidas próximas do trabalho de parto tenham sido encaminhadas para dar à luz em suas casas. Num orçamento anual de R$ 1,5 bilhão e dos quais R$ 388 milhões já gastos em 2019 (transparencia.to.gov.br deste domingo).

Tudo porque as salas de cirurgia teriam sido transformadas em UTIs para recém-nascidos!!! Lógico, também estariam faltando UTIs!!! E já haveria decisão judicial (a pedido da Defensoria) cobrando a mesmíssima coisa do governo!! A Secretaria informou que não ocorreria mais a situação!! Óbvio, depois da sentença judicial. Já estão receosos de, a qualquer hora, serem levados ao xilindró. Se fosse um cidadão comum descumprindo ordem judicial, já estariam atrás das grades!!!

A população, instituição e parlamentares não se dão conta dos números da tragédia cuja proporção aumenta geometricamente à régua diária. Dados do Ministério da Saúde (neste domingo) registram, por exemplo, que em 2017 (dado mais recente) 342 crianças (até cinco anos) foram a óbito no Estado por causas evitáveis!!! De cinco a 74 anos, 4.702 pessoas faleceram de causas que poderiam ser evitadas!!!

E a cobertura imunológica, obrigação do governo estadual e municipais: em 2018 caiu para irresponsáveis 38,77%, contra 47,31% (2017), 60,94% (2016) e 92,32% (2015). Nos últimos quatro anos, a omissão do poder público na prevenção foi escandalosa.

A situação da saúde pública estadual, como demonstram as evidências, dá indícios de enfrentar uma sepse que pode, do ponto de vista político, contaminar o governo. A Secretaria de Saúde foi, em praticamente todos os governos, duto de desvio de recursos públicos. Fato!! Mas os governadores equilibravam-se entre a falta de remédios, alimentação, limpeza hospitalar e salários dos médicos.

Nas compras, os secretários enfrentavam a legislação: faltou medicamento, compravam-no, não raro, sem licitação. Alguns respondem por isto na Justiça. Em determinados caso certamente a razão indica que podem ser absolvidos pelas circunstâncias em que foram levados ao delito administrativo. Ainda que sujeitassem os cofres públicos aos preços da falta de planejamento. No governo Mauro Carlesse não se nota sequer esse "jogo de cintura": a infecção generalizou-se. É o seu mérito no setor.

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