As declarações atribuídas ao senador Eduardo Gomes por um portal de notícias da Capital (e publicadas na própria rede social do parlamentar) dão bem a idéia do pensamento bolsonarista. E da confusão que faz deliberadamente entre democracia e fascismo.
Teria declarado Eduardo, ainda líder de Bolsonaro no Congresso.
“Quando qualquer manifestação dá espaço ao vandalismo e à falta de controle a causa perde completamente o sentido. Quando há depredação não existem dois lados: seguimos com a democracia.”
Contrário senso: se os criminosos golpistas tivessem tomado de assalto a suprema corte do país (STF), o Congresso Nacional e o palácio do governo brasileiro à força mas sem quebradeira, a causa teria sentido. E se estaria cumprindo regras democráticas. “Dentro das quatro linhas” na retórica do líder da seita que insufla o glope da Flórida (EUA).
A nota permite concluir que o senador Eduardo Gomes defenderia o golpe manso e pacífico. Isto porque a causa dos criminosos não é outra que não um golpe de Estado contra uma eleição legítima e democrática onde a maioria escolheu um dos candidatos.
Ou seja: se há depredação, o Senador não apóia e segue, nas suas próprias palavras, com a Democracia. Daí pode-se inferir outra conclusão: a Democracia, para o senador, seria o segundo plano, na ineficiência e ineficácia do primeiro, no caso, do golpe sem vandalismo e depredação. Eduardo Gomes já foi mais articulado e menos alienado.
Eduardo assim, pelo que lhe atribui um portal (e sua própria publicação no twitter), seria contra formas e meios mas não contra as finalidades que resultaria, claro, no fechamento do Congresso, STF e Palácio do Planalto, sepultando a democracia brasileira que permitiu-lhe inclusive o mandato.
Quando Eduardo faz circular seu pensamento anacrônico, criminosos bolsonaristas continuam interditando rodovias no país nesta segunda, após a tentativa de golpe frustrada de ontem.


