A proibição de coligações mudou um pouco a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados este ano. Talvez isto explique as prioridades financeiras dos partidos com seus candidatos.
Mas atenção: no Estado nenhum deputado federal foi eleito por seus próprios votos na eleição de 2018. Dependeram, na unanimidade, ou do quociente partidário ou das sobras. Não fizeram o quociente eleitoral.
O PT, por exemplo, que aposta financeiramente este ano em Célio Moura e Zé Roberto em detrimento da candidatura de Paulo Mourão ao governo, elegeu a federal na última eleição Célio Moura pela média. Ou seja, não atingiu nem o QE nem o QP. Foi pelas sobras.
Em 2018 valiam ainda coligações. Célio estava na PT/PCdoB/PV/Rede/Psol/PSD. Foi sua salvação.E curioso: naquela eleição também o deputado estadual (hoje candidato a federal) Zé Roberto só foi eleito pela média, o popular “sobras”.
O PT quer melhorar esse desempenho: mandou para o dois o dobro do que investiu no seu candidato ao governo. E promoveu Zé Roberto a federal ainda que por pouco ele não tenha perdido para estadual na última eleição. Um caso eloquente de mandar pra frente quem está caminhando para trás. Mas o PT tem razões "companheiras" no tal centralismo democrático.
Em 2018, foram contabilizados 756 mil votos nominais válidos. Isto levou a um quociente eleitoral de 94 mil votos para cada deputado federal ser eleito. A maior votação no Estado foi de Thiago Dimas (71 mil votos). Célio Moura foi eleito com 18,167 mil, Damaso com 58.726, Vicentinho (49.868), Eli Borges (48.812), Carlos Gaguim (48.012), Dorinha (48.008), Dulce Miranda (40.719). Todas não alcançaram o QE.
Por partidos, o Democratas saiu das urnas para federal com 99 mil votos, Solidariedade (125 mil), PR (53 mil), PSC (60 mil), PT (44 mil) e PSDB (39 mil), MDB (44 mil) e PP (44 mil), as maiores votações para deputado federal por partido.
Em 2018, o Estado apresentava um número de eleitores da ordem de 1,039 milhão. Os votos válidos de 2018 (756 mil nas urnas), portanto, eram de 72,7% do total de votos possíveis.
Como em 2022 o TRE contabiliza 1,094 milhão de eleitores, é razoável supor que sairiam das urnas 795 mil votos válidos que levariam a um quociente eleitoral de 99 mil votos para cada candidato se eleger sozinho sem depender de quociente partidário, média ou sobras.


