Reconhece-se o esforço do governo na Covid-19 e a pressão a que está submetido na pandemia que registra uma média de 70 casos a cada 24 horas no Estado. Submetido, ainda, à dificuldade de fiscalização de fronteiras com o Pará e Maranhão (em lockdow).
Mas o teor das declarações prestadas ontem pelo secretário de Saúde, Edgar Tolini, ao T1 Notícias, da jornalista Roberta Tum, não contribuem para dar maior tranquilidade à população no que tem de impreciso.
Tolini afastou o risco de colapso hospitalar (mais contaminados que leitos) com a contaminação da Covid-19 avançando (como nesta semana) 146% em sete dias. De outro modo: a lógica matemática indica que os leitos e UTIs não seguirão a mesma aceleração. Um crescendo de forma aritmética e outro geométrica, quase exponencial. O Secretário deve ter outra régua.
O argumento do Secretário é quase uma justificativa para outra declaração: de que os 200 leitos dos hospitais de campanha prometidos custariam algo por volta de R$ 12 milhões mensais. Ou R$ 3 mil por dia. Como o leito de UTI do SUS é R$ 1,6 mil, mereceria explicação a contabilidade. Se falava só de UTI ou também de leitos clínicos.
Sem prejuízo do raciocínio de que essa conta bem poderia ter sido feita pelo governo antes de anunciar os três hospitais de campanha (Palmas/Araguaína/Gurupi). Decisão que gerou desdobramentos políticos na Capital com a amplificação de teses de que Cínthia Ribeiro não cederia o Espaço Cultural, tendo, afinal, entregue a prefeita ao governo também o Estádio e o Centro de Convenções.
O Secretário estima ainda, neste contexto todo, que até o final do mês serão de 1.500 a 1.700 casos. Uma margem de erro de 13%. No últimos cinco dias, a média de casos diários foi de 81 casos confirmados a cada 24 horas (82/12 de maio-59 dia 11 - 116 dia 10 - 77 dia 9 e 71 no dia 8 de maio). Nesta média, até o final do mês, serão 1.540 novos casos, que somados com os 828 de ontem, darão 2.368 casos no Estado. O Secretário diz que quer chegar a 100 leitos de UTI.
Cuidou o Secretário ainda de informar ao T1 Notícias que o governo teria recebido apenas "os R$ 26 milhões do Ministério da Saúde". O governo recebeu também R$ 32 milhões de ajuda financeira do governo federal aos Estados. A primeira parcela (R$13.474.923,58) no dia 14 de abril. E a segunda parcela (R$ 18.598.393,03) no último dia 7 de maio.
De 9 de abril até hoje (13 de maio) o governo federal repassou ao governo do Tocantins (de distribuição de parcelas dos impostos federais) o equivalente a R$ 621 milhões. Isto sem contar as transferências fundo a fundo do Ministério da Saúde.


