Pelo menos quatro institutos de pesquisas registraram no TRE que publicarão seus números neste sábado: Paraná Pesquisas/Fieto, SMS Direct, Atlas Intel e Quaest.
Os quatro, em boa medida, podem já mensurar os desdobramentos do vazamento ilegal de laudo do IML ontem sobre ex-esposa de Vicentinho.
Suas pesquisas iniciaram-se dias 18 e 19 e fecharam nos dias 23 (ontem) e neste sábado, 24.
Há consideráveis razões para, observando, superficialmente, as percepções nas ruas e redes sociais, projetar que o vazamento pode ter proporcionado subtração de votos a Dorinha.
E o subtraendo do minuendo da Senadora pode ter sido somado ao candidato do PSDB, reduzindo e não acrescentando votos à candidata do governo.
A perspectiva criminosa (do ponto de vista penal) do vazamento – como se dá nas pessoas que ainda não concordariam que dois erros formariam um acerto – passou a subordinar o apontamento político do crime.
Delito que não é somente eleitoral: vazamento de documento público protegido pelo sigilo, de responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública/governo.
Para dar materialidade à invectiva da candidatura do governo, basta iluminar o ato.
Troque o objeto e mantenha o gênero do sujeito: substitua o laudo médico (arquivado pela SSP e negado pelas supostas vítimas) por outro procedimento (laudo médico) de partes íntimas de uma mulher sendo vazado ao público!! E feito por médico agente público!!!
É situação que não deve ser investigada apenas pela polícia, Justiça Eleitoral e Ministério Público Estadual. Mas também pelo Conselho Regional de Medicina!!!!
Vem a ser uma violência contra a mulher talvez maior do que supostas agressões (negadas e arquivadas) porque a atingiria naquilo que apenas lhe pertence e concede dispor.
A inviolabilidade do corpo é um direito fundamenta, individual, particular e não público. Para a mulher, mais ainda.
Daí a tentativa de usufruto dos marqueteiros de Dorinha de um laudo arquivado e negado pelas supostas vítimas despertar nas pessoas o outro lado.
E se passasse à normalidade um laudo íntimo de outras mulheres se transformando em peça de campanha eleitoral?
A quê e a quem mais aproveitaria a invasão da vída intima da mulher pelo sistema prevalente do ponto de vista político?
Há no Estado cerca de 40 médicos legistas (de 92 vagas previstas). Os médicos (todas as especialidades) somam 4 mil e 227 profissionais, conforme o CRM.
No último dia 4 de outubro (primeiro turno) compareceram às urnas (TRE) 965.475 eleitores. Destes, 503.734 eram mulheres e 461.741 eram homens.
E que registraram uma taxa de abstenção de 16,32% para as mulheres e de 20,43% para os homens.
Ou seja, a mulher não só teria votado em maior número. Como foi mais interessada em fazer uso do voto para suas escolhas políticas do que a inércia dos macho alfa.
Como se nota, os políticos do Estado passam da hora de colocar um freio moral nas suas condutas. E que o descarrilham sob o exercício pleno da imobilidade das forças de polícia e justiça.
Estado em que os feminicídios avançaram 52,8%(2024/2025) - Anuário Brasileiro de Segurança Pública/2026 - e registrou uma taxa de ameaça a mulheres de 1.040,6/100 mil habitantes no ao passado. Superior aos 720,9/100 mil da média nacional. Com 853 descumprimento de medida protetiva.


