Os secretários entregaram seus cargos ao governador Mauro Carlesse. Uma decisão inócua dado que não se pode entregar o que não se tem.
Os cargos sempre foram de competência exclusiva (pela representação) do Chefe do Executivo estadual nomear ou exonerar à sua conveniência.
A argumentação é a de sempre: deixar o Governador à vontade para mudar a equipe. Contrário senso que o raciocínio sugere: o Governador não se sentiria à vontade para demitir auxiliares.
Obviamente que a tese levaria a outra dedução: o Governador teria dificuldades emotivas para demitir assessores e aí não estaria apto a governar onde se exige justamente impessoalidades e imparcialidades.
Tudo balela: Mauro Carlesse, como é público, não se apega a afetos pessoais nas suas decisões, como os políticos tem bastante conhecimento. Mais ainda os secretários. É um trator quando quer alguma coisa.
O grupo que o circunda, também é público, não se arrisca em projetos políticos pessoais. Não se vê secretário querendo aparecer e disseminar candidaturas individuais.
Emergiria, assim, pela lógica política da decisão conjunta uma espécie de declaração de confiança e fidelidade no Governador, um ato orquestrado de fé, abdicação,renúncia pelo melhor para o governo (e Carlesse) na pressuposição de que o Chefe do Executivo os recoloque nos cargos.
É uma estratégia que foi bastante utilizada pelo ex-governador Siqueira Campos para demonstrar justamente o contrário: o poder da caneta.
Tudo isto a partir de uma ação que, contrariamente, na renúncia do que não se tem, negaria o próprio poder da caneta, prescindindo dela para deixarem o cargo.
Pragmaticamente (a exemplo de exercícios anteriores) Mauro Carlesse pode (e deve) fazer alguns ajustes, mantendo o núcleo central do Secretariado.
Mas é algo que poderia fazer (tem competência para isto) independente do “altruísmo” dos secretários demissionários sobre cargos que não lhes pertencem.


