Sábado, 24 de Out de 2026

Secad orienta servidores, em nota ao T1 Notícias, pesquisarem o melhor negócio com os passivos!! Talvez não tenha refletido, mas dá tintas ao empréstimo tratado politicamente como antecipação que não é!! Leitor do blog há muito já sabia!

18/11/2022 1637 visualizações

Não se pode falar de falta de transparência do governo quando o assunto são os passivos/retroativos de progressões e promoções.

O passivo é objetivo: se haveria uma lei que criou os direitos, a obrigação do governo era simplesmente honrá-los. Sem a necessidade de qualquer outro dispositivo legal.

O governo, entretanto, agiu de duas maneiras: 1) aprovou uma lei determinando que os retroativos sejam pagos em parcelas de 2023 a 2030.

 E 2) abriu a possibilidade de os servidores tomarem emprestado como consignados o valor do passivo retroativo, como desconto em folha.

Ou seja, o que politicamente é dado como antecipação do passivo é, na verdade, um empréstimo entre o funcionário e o banco, sujeito aos contratos bancários.

Muita gente caiu e ainda cai nessa esparrela de antecipação quando objeto antecipado não é. Afinal, quem antecipa não devolve mais tarde, como é o caso dos servidores no consignado.

Se eu antecipo um direito e tenho que devolver mais tarde, não me seria de direito. Apenas tomei emprestado e estaria devolvendo com altas taxas de juros e correção monetária!!!.

Antecipação como? Só na metalinguagem política. Por este aspecto, aliás, a antecipação seria prejuizo porque entregaria boa parte aos bancos. Um direito exercido pela  metade.

Afinal, como é que se antecipa o que não foi colocado por que dependentes de previsão orçamentária!!! ????

Ah, LA, é tipo a antecipação do Imposto de Renda!!! No IR, entretanto, a Receita Federal já recolheu o imposto no ano que é devolvido no mesmo exercício. Não muda de exercício orçamentário.

A grana do IR já saiu do cidadão e entrou nos cofres federais. Nos passivos dos servidores, o dinheiro não saiu e nem entrou de lugar para lugar nenhum. Nem contabilizado está no passivo patrimonial.

Fui o primeiro e único talvez a apontar isto aí desde o início. Mas já era pré-campanha eleitoral e tudo concorria para fortalecer o governo que, como demonstro aqui praticamente todos os dias, tem sido senão o melhor, mas uma das melhores administrações dos últimso 20 anos. Mas se se levantava criticamente questões tais, o Palácio e os servidores via-no como oposição eleitoral.

 E hoje (em nota ao portal T1 Notícias, da jornalista Roberta Tum) a Secretaria de Administração coloca fim a qualquer dúvida, quando dúvidas só existiriam entre os servidores e políticos.

Está lá na nota da Secad ao T1 Notícias:” Ressaltamos que o servidor deve pesquisar o melhor negócio individualmente e fechar com o banco conveniado que ofereça as melhores taxas”.

Pronto: o negócio é particular, individual, o funcionário aceita ou não, assina contrato com o banco ou não, aceita os juros ou não. O governo estaria fora dessa relação contratual, deixando os riscos para o funcionalismo e bancos.

E quer saber: acho que o governo está certo. Ele não tem como garantir orçamento todos anos para pagar esses passivos,até porque o atual governo que estabeleceu a programação financeira só tem prazo de validade até 2026. Os parcelamentos autorizados vão até 2030.

E, do ponto de vista fiscal, seria implausível um governo que gasta menos do que o mínimo determinado pela LRF com salários(tem gordura para queimar no setor), comprometer recursos (de FPE/arrecadação) destinados a investimentos com gastos de pessoal. E depois tomar emprestado a juros para fazer os mesmos investimentos.

Muito embora tenha ainda conservado um viés dúbio na abertura da nota: “A Secretaria da Administração informa que atualmente conta com cinco instituições conveniadas e o processo de antecipação segue o curso normal. Contudo, alguns bancos conveniados tiveram dificuldades técnicas para atender a demanda dos servidores. A Secad tem acompanhado e informa que essas dificuldades serão superadas, de modo que as instituições passem a ter um atendimento regular.”

O que a Secretaria considera dificuldades técnicas dos bancos para aceitarem o convênio é a sua falta de segurança. Os bancos que o aceitaram regra geral aceitam tudo aplicando a taxa de juros consequentes. E quem aceita riscos  de tal porte o faz como método.

É um consignado comum – sem qualquer aval do governo – e que o funcionário terá que pagar em prestações, repassando as parcelas advindas da lei (de 2023 a 2030) ou não, por parte do governo. E mandatos são de quatro anos e não sete!!

No popular: o governo apenas facilitou os empréstimos porque consignados dependem da adesão do empregador. Mas deixou correr frouxo a confusão de forma que tem servidor querendo receber apenas metade do que tem direito mas aceitando pagar parcelas integrais por sete anos. E achando estar antecipando direitos trabalhistas.

A preocupação agora do governo na nota com os juros está a reverberar que o buraco pode ser fundo (um lucro fenomenal dos bancos e prejuizos estratosféricos dos funcionários) e que ele próprio, governo, pode vir a ser responsabilizado politicamente mais tarde. Dado que legalmente, faz o empréstimo aquele que quiser e o governo não é tutor de ninguém.

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