O governo interino completa três meses amanhã. Poderia observar de outro modo: o governo interino completa amanhã três meses. Há uma sensível diferença pouco perceptível nas duas elaborações determinadas pelas perspectivas dependendo do ângulo com que se as tomem.
A aceleração e representação da imagem de um governo que completa três meses amanhã, com efeito, é diferente daquela do governo que amanhã completa três meses. No primeiro, tem-se um decurso de prazo espichado sugerindo já fosse tempo demais e que ainda iriam completar-se 90 dias.
No segundo, completando três meses amanhã, a dedução que impulsiona, não captada pelo senso comum, é a de decurso de prazo percebido mais na sua exiguidade do que na decepção por expectativas não atendidas ainda que já tenham se passado os mesmos 90 dias.
Para o governo afastado interessaria, assim, a percepção de que o governo interino fosse escrutinado como uma administração que não fez uso adequado do decurso do prazo de modo que a população apreendesse dele uma suposta incompetência governamental, com implicações no próprio tempo dos eleitores e o desejasse fora o mais que fosse.
Já o governo interino joga suas fichas na exploração a tanto quanto pode desse decurso de prazo apostando na rapidez de movimentos que emprestaria à metade do afastamento do governador pelo STJ, pouco tempo para muita ação. Ainda que, não raro digam respeito a intenções que não encontram correspondência nos gestos quando não contraditórias à própria retórica governamental interina.
Até agora, tudo indica, tem prevalecido a suposição de que o governo interino completa três meses amanhã. Ou seja, muita ação para pouco prazo. Avaliação que pode ser corrigida em médio e longo prazos com as consequências das medidas tomadas sob o argumento do melhor aproveitamento do tempo. Mas ai já terá passado o tempo de ambos: afastado e interino.
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