Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Se governo viabilizar empréstimo do BRB, somando os já autorizados, dívida consolidada do Estado pode ir a R$ 7,3 bilhões

luizarmandocosta 05/03/2020 614 visualizações

O governo, não raro, reclama de críticas dos adversários. Em parte com razão, noutras, nem tanto. Com efeito, o Palácio desenvolve um esforço fiscal considerável para colocar as contas em dia. Fecha aqui, abre acolá, mas tem conservado uma margem de manobra cujo saldo tem sido mais cortes que aumento de despesa. Administração enxuta na medida do possível. Não recebeu mamão com açúcar ou picolé de chicabon de seus antecessores.

Agora, tem propostas que, ainda que se considere da mais absoluta boa fé, desconectadas. Uma delas: foi anunciado hoje (veja matéria aí do lado) que o governador conseguiu captar R$ 1 bilhão de empréstimos do Banco Regional de Brasília para investir em obras.

Mauro Carlesse pediu e a diretoria do banco mostrou-se favorável à liberação do empréstimo. Ainda é apenas proposta, intenção. Mas na atual conjuntura, temerária, tanto para o banco quanto para o Palácio, mesmo considerada como correta a movimentação para garimpar recursos.

Como é público, o governo não está conseguindo contratar R$ 583 milhões com a Caixa. Tudo indica que terá a chancela da STN, mas ainda não veio. Se acontecer, tem mais outro empréstimo da Caixa e mais um do BB já autorizados. Total do papagaio já aprovado: algo próximo de R$ 900 milhões. Podendo ser elevado.

O governo fechou 2019 com uma dívida consolidada de R$ 5 bilhões e 416 milhões. Se a STN aprovar os empréstimos já autorizados e esse R$ 1 bilhão ainda não fechado, a dívida consolidada poderá fechar 2020 no patamar de R$ 7,3 bilhões. Uma dívida de  valor igual às receitas correntes líquidas de 2019 (R$ 7,365 bilhões). Ou ainda: algo próximo de 20% do PIB estimado do ano passado.

Isto dará a bagatela de R$ 4 mil e 600 reais para cada morador do Estado, de mamando a caducando.

Se essa dívida consolidada vier a se materializar em 2020, a dívida do Estado terá aumentado mais de 200% em seis anos (de 2015 a 2020). O governo fechou 2014 contabilizando uma dívida consolidada de R$ 2 bilhões e 479 milhões. Ou seja, em seis anos, a dívida foi elevada em R$ 4,8 bilhões.

Nesse período aí, a Receita Corrente Líquida (que garante também a amortização e serviço da dívida) passou de R$ 6,071 bilhões (2014) para os R$ 7,365 bilhões (2019). Um aumento de meros 21% contra os mais de 200% da dívida.

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