Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Se Estado do Tocantins seguir Goiás como exemplo na segurança pública, como se tem sugerido, pode-se estar diante de um retrocesso ao invés de avanço!! É o que mostra o Anuário Brasileiro da Segurança

24/07/2023 508 visualizações

Os números do Anuário Brasileiro da Segurança Pública (publicados aqui no dia de sua divulgação na semana passada) não incentivariam o Palácio Araguaia elevar o governo de Goiás a referencial a ser seguido, da forma como tem se dado. Ou estaria a exigir pelos menos reflexões mais abrangentes.

Vejamos: Ronaldo Caiado conseguiu, de fato, reduzir a taxa de mortes violentas intencionais em Goiás de 26,7/100 mil para 25,2/100 mil. Uma queda de 5,6%.

Wanderlei Barbosa viu sua taxa subir de 28,9/100 mil para 30,5/100 mil de 2021 a 2022. Um crescimento percentual de 5,5%.

Como tanto Goiás como o Tocantins viram reduzidos pelo Censo 22 os números da estimativa do IBGE de suas populações (e o Anuário diz respeito a 2022, antes do censo, portanto) e estes (números da população) são dados da equação estatística relativa (quando maior a população, menor o índice de mortes por 100 mil), elas por elas. Pelo menos neste quesito. Ou seja, o Tocantins teria aumentado a violência e Goiás a reduzido.

O Estado de Goiás, entretanto, registrou (pelo Anuário) que 30,2% das mortes violentas intencionais no território goiano se deram decorrentes de intervenções policiais (em serviço ou fora dele). Ou seja, 538 (de 1.780) mortes intencionais violentas em Goías em 2022 foram decorrentes de intervenções policiais.

No Tocantins, esse percentual caiu de 10,8% (2021) para 5,6% (2022). Em números absolutos, as mortes em confronto com a polícia caíram de 47 (2021) para 26 (2022) no perímetro tocantinense.

Justapostas assim, as duas informações, ter-se ia, a priori, que a redução das mortes violentas intencionais fossem consequentes da violência da polícia (medida ou desmedida) nas ruas.

Enquanto a polícia goiana aumentava as mortes em confronto, reduziria as mortes violentas intencionais em Goiás. De igual medida, no Tocantins, inversamente à redução das mortes em confrontos policiais, as mortes violentas intencionais tiveram aumento.

Uma conclusão falaciosa, claro, mas que nas atuais circunstâncias ilumina bolsões bolsonaristas.

Não à toa Goiás registrou 538 mortes em confrontos policiais no ano passado. Número só inferior no país aos 1464 (Bahia), 1380 (Rio de Janeiro) e 621 mortes em intervenções policiais registradas no Pará.

Não é sem âncora, portanto, que o bolsonarista Ronaldo Caiado tem comemorado aquelas operações que causaram, no solo tocantinense (administrado pelo também até aqui bolsonarista Wanderlei Barbosa), a morte de uma dezena de bandidos que tentaram assaltar um banco no Mato Grosso.

Movimentos que, como registram as estatísticas, não teriam fundamentos muito rigorosos ou consonantes com a realidade já que se lá em Goiás as mortes violentas cairam, no Tocantins aumentaram. Sem juizo de mérito de estratégias políticas, ações bandidas ou policiais.

Compartilhar

Deixe seu comentário

Mais em Ponto Cartesiano