Muita gente tem tratado os debates políticos como uma espécie de Fla x Flu em que deveria haver um vencedor e um perdedor.
O de ontem na Band evidenciou a destreza de Jair Bolsonaro por enrolar sem dizer coisa alguma e as dificuldades de Lula para sair da retranca da corrupção em seu governo.
Era nítida, por outro lado, a busca de Bolsonaro pela baixaria e a preocupação de Lula em não aceitá-la.
Isto fê-lo, a Lula, perder minutos preciosos que sobraram a Bolsonaro que os gastou no embromotion dirigido à sua bolha.
Bolsonaro vociferou números facilmente derrubáveis como os valores do Auxílio e dos prejuízos da Petrobras. E teses mirabolantes: Nicarágua, Venezuela, Cuba, Argentina, negando o direito da população daqueles países de escolherem seus presidentes. Poderia explicar porque seria ele favorável a Putin na Rússia e ser contra o comunismo.
Ou contra Chaves que alterou o Supremo de lá, colocando ali só seus aliados e a proposta daqui, dele Bolsonaro, de fazer o mesmo no STF, ainda que apontando a Lula o víés lunático da venezualização do país.
E novamente mentiu sobre sua dedicação na pandemia que já matou cerca de 700 mil pessoas no país. Tocou no assunto das menininhas venezuelanas do “pintou um clima” com a decisão do STF.
Mas não explicou o que significaria pintou um clima nem as mentiras fartamente comprovadas de que as “menininhas” não eram prostitutas, como o fez a exemplo de Damares Silva sobre as menininhas da Ilha do Marajó. Algo que Lula não explorou como o fez Bolsonaro.
Encurralou Lula na questão do STF. Lula é contra aumento de vagas e Bolsonaro a favor para colocar ali os seus (como repetiu ontem).
Ficou nítido um Lula descartando intervenção política no Supremo e um Bolsonaro favorável à alteração da composição da Corte para alojar os seus.
E não deixou também de ser Bolsonaro ao fazer a conexão entre a anulação do processo contra Lula no STF e os ministros do STF indicados por Lula.
Lula poderia ter dito que antes de ser preso, o STF negou-lhe habeas corpus com o relatório e votos de ministros por ele indicados à Corte.
E que o STF reconheceu a parcialidade do então juiz federal Sérgio Moro que o mandou à prisão, retirando-o da disputa em 2018 (quando as pesquisas o indicavam na frente) e depois assumiu o cargo de ministro de Jair Bolsonaro.
O mesmo Moro que estava ontem entre os convidados de Jair na Band. Um atestado indiscutível da aliança do juiz federal com Bolsonaro para prender Lula. Ou seja, um magistrado, pago com recursos públicos para julgar com imparcialidade, fazendo conluio com políticos por cargos políticos.
Moro, não à toa, elegeu-se senador no Paraná, depois de ganhar alguns milhões de dólares ajudando as empresas nos processos que respondem. Empresas que ele, com suas decisões, condenou. Mas estava lá ontem, segundo a imprensa, para auxiliar Bolsonaro a atacar Lula no quesito corrupção.
Quanto a conhecimento da administração pública e da conjuntura econômica política, nacional e internacional, a supremacia de Lula sobre Bolsonaro foi inquestionável.
Bolsonaro pode ter todas as qualidades do mundo, mas o que apresenta e da forma como o faz, não o credencia a presidir sequer clube de futebol de botão.
Se conhece além do que mostrou, deveria acercar-se de técnicos para o auxiliarem na tradução do que sabe e pretende fazer de forma civilizada para a melhoria da vida da população.


