Depois do presidente Jair Bolsonaro dizer a senadores eleitos (logo após as eleições) que não estava preocupado com a sucessão na presidência do Senado, mas que tinha nomes como Tereza Cristina e Rogério Marinho (eleitos no primeiro turno), o processo foi deflagrado.
É o jeito Bolsonaro de colocar as coisas. Obviamente que Jair Bolsonaro quer a troca de Rodrigo Pacheco que, pela lei, tem condições de disputar a reeleição na presidência.
A base de Jair Bolsonaro (PL e demais partidos) pode somar em fevereiro próximo algo próximo de 65 dos 81 senadores. Só o PL de Jair e Eduardo Gomes tem 14 senadores. Ou seja, mais de dois terços do Senado (80% dos senadores).
Escore suficiente para eleger quem Bolsonaro quiser. Evidentemente que se Lula derrotá-lo no segundo turno, o fisiologismo dos parlamentares sugere que a situação poderá ser outra.
O presidente do Senado e do Congresso pode, se quiser, trancar o governo apenas fazendo uso do regimento. Ou beneficiá-lo também do mesmo jeito. Está aí o presidente da Câmara, Arthur Lira, a comprová-lo de forma indiscutível.
O senador Eduardo Gomes (líder de Bolsonaro no Congresso) não é implausível que passe pelo radar de Jair para o cargo.
Considerado um dos mais competentes articuladores políticos do Congresso, desde sua passagem pela Câmara dos Deputados, tem seu nome aventado entre os parlamentares como o candidato ideal para as circunstâncias.
Gomes tem desincumbido com maestria tanto na propulsão de propostas do governo como bombeiro de incêndios que o presidente provoca quase todos os dias na relação Executivo/Legislativo. E não tem arestas na oposição ou situação. Trocar essa musculatura por algo imprevisível pode gerar mais insegurança do que tranquilidade ao Presidente.
O problema é que Jair não é muito dado a decisões racionais. Nada mais eloquente a declaração aos senadores no último dia 5 de outubro de que não iria interferir, mas já indicando dois nomes: Rogério Marinho ou Tereza Cristina.
Ambos eleitos senadores no primeiro turno. Um do Mato Grosso do Sul (Tereza) e outro do Rio Grande do Norte (Rogério). São Estados com maior expressão política e econômica do que o Tocantins.
Mas o ex-presidente que antecedeu Rodrigo Pacheco no Senado (e Congresso) era um senador Davi Alcolumbre, do Amapá, Estado que tem metade dos eleitores do Tocantins.
Para se ter uma idéia, a votação do senador Eduardo Gomes no Tocantins em 2018 (248 mil votos) corresponde a 48% de todos os eleitores do Amapá (517 mil este ano).
Se prevalecesse a razão e estes fossem os nomes dos “concorrentes” de Eduardo Gomes ao cargo, ele ganharia com louvor.
Tem mais tempo de Congresso que os dois (Tereza e Rogério foram deputados federais), é provável que entenda mais de regimento do Senado do que os novatos (Tereza e Rogério foram eleitos senadores pela primeira vez) e conhece com profundidade os temas ora em discussão no Congresso.
Mas Jair é Jair: pode fazer até mesmo a indicação do filho, senador Flávio Bolsonaro ou mesmo da pastora maluca Damares Alves para o cargo.
Tanto Senado e Câmara tem aprovado tudo que Bolsonaro manda mesmo, independente da razoabilidade ou irrazoabilidade dos projetos.


