Dos discursos do governador Wanderlei Barbosa, Cínthia Ribeiro e deputados aliados ontem em Taquari (entrega de moradias) pode-se apreender variados significados. Dois, entretanto, indiscutíveis.
O Governador teria selado uma aliança com a Prefeita da Capital e decidiu revidar ações públicas (e outras nem tanto) de adversários que buscam minar seu governo, priorizando o denuncismo a gestões pelo Estado.
O alvo visível seria o senador Irajá Abreu que tem usado com frequência e, quase sempre inadequadamente, a tribuna do Senado para denunciar escândalos imaginários.E que, na prática, tem se revelado um malogro no consciente popular.
Em detrimento da população e negando o desempenho fiscal da administração referendado pela Secretaria do Tesouro Nacional. Deveria fazer uso mais producente da representação que lhe concede a função de defender a população.
Assim como adversários de Cínthia Ribeiro buscam conectá-la a desvios que nem a Polícia Federal detectou até aqui.
Wanderlei, por outro lado, riscou, no seu pronunciamento, uma linha divisória ao avalizar publicamente o governo Lula, citando sua relação e do seu partido, Republicanos, com o governo federal. Separando eleição de administração. Algo visível.
Expediente ignorado, até aqui, pelo Senador do PSD que é anfitrião da família Bolsonaro na Capital. Nada mais eloquente do que sua ausência nas sessões comemorativas dos 35 anos do Tocantins na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Apesar de ser goiano (de Goiânia), Irajá representa o Tocantins no Senado. Uma reação ao modo da pior forma primitiva bolsonarista de confundir público com privado, história do Estado com história pessoal.
Colocando acima da representação e do Estado suas adversidades e afetos particulares e privados. Partidos e candidaturas, como se sabe, são expedientes e instituições privadas. Cargos públicos, passada a eleição, são públicos.
Com isto, Wanderlei delimita o espaço de Irajá Abreu e do PSD (com a contribuição do próprio parlamentar, como se deduz) no governo Lula, dado que o presidente nacional do seu partido, Gilberto Kassab, ocupa a secretaria de Governo de São Paulo, administrado por Tarcísio de Freitas, também do Republicanos (mas com um pé no PL), potencial candidato bolsonarista contra Lula.
O desempenho político, eleitoral e administrativo de Wanderlei tem concedido ao Governador papel relevante junto à direção nacional do Republicanos, que conversa com Lula. É uma das estrelas do partido que tem dois governadores (São Paulo e Tocantins).
É indiscutível que Wanderlei (guardadas as devidas proporções) faz uma administração melhor avaliada e mais enquadrada do que Tarcísio de Freitas em São Paulo, com crises na segurança, saúde e transportes.
Apesar de Wanderlei negar finalidades eleitorais, o palanque de ontem refutava, em sentido contrário e com igual força, o discurso.
Juntar Wanderlei, Cínthia e Janad num mesmo palanque sem raios e trovões e, mais ainda, com sinais convergentes, é fumaça de que algo mais ocorre.
Os dois, Cínthia e Wanderlei, apesar das diatribes da oposição, marcam suas administrações com avanços fiscais e administrativos consideráveis.
Wanderlei pegou um governo que registrava no 2º quadrimestre de 2021 (ele assumiu na metade do terceiro quadrimestre) com receitas correntes líquidas de R$ 9,5 bilhões. Neste segundo quadrimestre de 2023 registrou R$ 12,605 bilhões de RCL. Ou: R$ 3,1 bilhões a mais seis QDs após.
No segundo quadrimestre de 2021 tinha uma dívida consolidada de R$ 5,118 bilhões. Hoje é de R$ 3,715 bilhões. Ou: R$ 1,403 bilhões a menos.
No segundo quadrimestre de 2021 registrava-se um passivo patrimonial (dívidas) de R$ 935 milhões. Destes, R$ 239 milhões era de contribuições patronais, R$ 64 milhões (Plansaúde), R$ 288 milhões (salários/progressões/promoções) e R$ 306 milhões com fornecedores.
Hoje deve R$ 2,3 milhões (contribuição patronal), R$ 72 milhões (salários/progressões/promoções), R$ 2,4 milhões (Plansaúde) e apenas R$ 142 milhões a fornecedores.
Posição idêntica à alcançada pela prefeita Cínthia Ribeiro do primeiro quadrimestre de 2018 ao segundo quadrimestre de 2023, quando registrou um superávit primário (receitas menos despesas) de R$ 133 milhões (2º quadrimestre/2023), com pagamentos em dia, fazendo investimentos indiscutíveis na cidade e dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal com o triplo A na Capacidade de Pagamento da STN.
Se essa preconfiguração de palanque de ontem firmar-se, o candidato da dupla tem a faca e o queijo nas mãos no maior colégio eleitoral do Estado com 201 mil eleitores e que no próximo ano pode ser necessário segundo turno para decidir o prefeito.


