A população de Miracema pode, metaforicamente, estar sendo apresentada a uma oportunidade de fazer justiça. Não só com a aplicação da lei, mas respeito às vontades do eleitor.
Passados dois anos, polícia e justiça ainda não deram solução para o assassinato do jovem prefeito de Miracema, Moisés da Sercon, morto em circunstâncias e lugar que sugeriam de fácil solução encontrar o criminoso ou criminosos. A polícia (e o criminoso) se esconde no sigilo da investigação.
Moisés foi morto na metade do mandato conquistado nas urnas onde recebeu espantosos 84,62% dos votos válidos. Numa cidade de apenas 19 mil habitantes mas de força simbólica inconteste como sendo a primeira capital do Estado.
Talvez resida aí o desafio de sua esposa Camila (e dos eleitores) nas eleições deste ano. A viúva do ex-prefeito pode ser ungida ao cargo como uma forma de justiça ao voto e diante na inépcia dos órgãos públicos para dar-lhe (e à população da cidade) resposta ao crime bárbaro e praticado à luz do dia em outra pequena cidade (Miranorte), a pouco mais de 20 km de distância.
Camila vai disputar pelo MDB. Mas sua missão apresenta-se suprapartidária. É um confronto do eleitor com um adversário maior: a violência e a impunidade.


