A Secretaria de Saúde anunciou ontem mais leitos de Covid-19 para os próximos dias: serão 100, sendo 40 de UTIs em Palmas, Araguaína, Gurupi e Augustinópolis. Como é possível notar, a Saúde tem usado a reação como método quando deveria optar pela prevenção. Difere dos demais Estados que primeiro decidiram construir hospitais de campanha para depois, arrefecida a aceleração da contaminação, os desinstalarem.
Por aqui, limitou-se a contratar menos de duas dezenas de leitos privados, se esperou uma denúncia de uma entidade de médicos e de profissionais de saúde do HGP (e pressão do Ministério Público/Justiça) para aumentar a capacidade quando, ontem, havia apenas três leitos de UTI disponíveis no maior hospital do Estado. E aproximando-se de 24 mil contaminados com 364 óbitos. Uma proporção de contaminação maior que no país.
Está estampado que o governo não dimensionou a pandemia ou falta planejamento, quando, não raro, abunda desinformação. Ainda que o governo tenha demonstrado boa fé e tenha saído na frente nas medidas restritivas (recomendações), o governo fez circular nota ontem onde se lê isso aqui sugerindo que faltam recursos.
"Segundo o secretário de Estado da Saúde informou, um total de R$ 125 milhões foram enviados pelo Ministério da Saúde aos 139 municípios tocantinenses. "Os municípios receberam 57% e o Estado 43%. Foram alocados R$ 92 milhões para o Estado, mas até agora vieram R$ 77 milhões, faltando R$ 15 milhões", informou."É óbvio que se trata de uma informação imprecisa, ainda que possa, em parte, ser verdadeira. Num momento em que o mais se deseja é transparência. O governo recebeu da União, só para o combate à Covid-19, o montante de R$ 556 milhões (verba carimbada) de 13 de abril a 13 de julho (90 dias).
Só o último repasse (13 de julho) de R$ 262 milhões (R$ 162.383.227,19 (Apoio Financeiro aos Estados), mais R$ R$ 26.284.002,83 C (PFEC Inc I) e R$ 75.129.219,17 (PFEC Inc II) já seria o triplo do que sugere o Secretário. Público. No Banco do Brasil. Credito em conta. Resultado das medidas aprovadas pelo Congresso para a crise. E ainda teve suspenso o pagamento de dívidas, como os demais Estados.
O governo federal repassou R$ 13,4 milhões (14 de abril), R$ 18,5 milhões (7 de maio), R$ 94,1 milhões (5 de junho), R$ 101,2 milhões (9 de junho), R$ 66,6 milhões (7 de julho), R$ 162,3 milhões (13 de julho) e R$ 100,3 milhões (13 de julho). De ajuda financeira e das ECs.
A informação do Secretário dá vazão a que se deduza que a Secretaria da Fazenda estivesse segurando os recursos, não os repassando à Saúde, que o desconheceria. Só pode. Ou o Secretário apostasse numa idiotia coletiva. Além do mais, o Ministério da Saúde fez transferências (também carimbadas para atenção básica, média e alta complexidade) da ordem de R$ 741 milhões até ontem.
O governo tem recursos, sim, para a Covid-19. Faltam é planejamento e uma ação mais adequada e efetiva contra a pandemia, tanto do ponto de vista político (liderar prefeitos nas ações) quando nas prioridades elencadas.
Não é apenas reagindo (e desproporcional à intensidade da crise) certamente que vai fazer diminuir o índice de contaminação e mortes no Estado. É necessário mais ação do que reação.


