O governo deve explicações sobre os critérios de distribuição de vacinas nos municípios. Não pode, evidentemente, escudar-se na negativa ou omissão na discricionariedade permitida pelo Plano Nacional de Imunização que, se concede prerrogativas discricionárias, não o libera da obrigação pública de transparência. E transparência não só nos números, mas na justificativa para a vontade e decisão de políticas governamentais.
Pode-se, a priori, deduzir-se que as discrepâncias entre população e imunizantes, contrariando um dos critérios básicos do PNI, possa estar justificado na justaposição de contaminados e óbitos que, naturalmente, sobrepõe-se ao simples critério de densidade populacional.
Especialmente nas cidades do Bico do Papagaio, com maior letalidade e índice de contaminação, dados os indicadores sociais e a proximidade de Estados como Pará e Maranhão. E que comparados aos números da Capital, por exemplo (de maior população e proporcionalmente menor número de mortos e contaminados), atrairiam prioridades sanitárias e de imunização.
O desconforto político e a preocupação das pessoas nas cidades preteridas no critério principal do PNI se dão, certamente, como efeito de cuja causa o próprio governo é a peça principal. Basta adicionar à equação a distribuição de leitos de UTI e clínicos do Covid-19 que priorizaram, como é óbvio, avaliações mais políticas do que técnicas, enfrentando não só os critérios de densidade populacional, mas o número de casos e óbitos.
O governo pode até estar correto na distribuição das vacinas mas a sombra das UTIs leva a raciocínios de que estaria agora como lá fazendo uso ilegítimo de discricionariedades que lhe são concedidas.


