A Secretaria de Saúde encaminhou na tarde de ontem, sábado, nota de esclarecimento a este blog sobre dois artigos publicados na sexta, ambos sobre a portuense Maria Luzimar Lima e Silva, 55 anos, que teria ficado das 17 às 24 horas de quinta à espera de ambulância para ser transportada em estado grave de Porto a Palmas. Ela fora vítima de um acidente próximo a Porto.
A paciente na tarde de sábado ainda encontrava-se em estado gravíssimo. A sua irmã disse a este blog nesta manhã de domingo que Luzimar teria tido uma recaída na noite de sábado.
Os médicos diziam a parentes que a demora foi decisiva para o seu estado. Maria Luzimar foi transportada a Palmas em ambulância particular cujo pagamento (R$ 1,5 mil) fora proporcionado por arrecadação nas redes sociais.
Na nota, a Secretaria de Saúde informa que ela teria recebido a assistência necessária para que aguardasse o transporte mas sua família teria optado por contração de veículo particular. Leiam a nota, volto depois:
Nota A Secretaria de Estado da Saúde (SES) esclarece que os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) não estão desassistidos junto à empresa prestadora de serviços que auxilia no transporte de pacientes. Todas as providências administrativas necessárias para garantir a regularidade da UTI Móvel Terrestre foram tomadas pela gestão para garantir um atendimento digno a população. Em relação à paciente Maria Luzimar Lima e Silva, a SES destaca que a mesma recebeu toda assistência necessária para que aguardasse o transporte, porém sua família, que posteriormente retornou para agradecer toda a assistência prestada, optou pela contratação de veículo particular para transporte, por não estarem dispostos a aguardarem a UTI móvel que realizava outro transporte no momento, mesmo com a previsão de espera de apenas poucas horas. Voltei:Entende-se a preocupação da Secretaria de Saúde, afinal os casos de negligência do setor se amontoam e já se forma um conceito no Estado sobre a origem dos problemas. A Secretaria demitiu na sexta (veja post abaixo) o Superintendente que cuida do setor, contrariando a sua própria informação de que tudo vai bem.
Vejam bem: se com a ambulância particular contratada às pressas, depois de sete horas de espera, a paciente deu entrada no HGP já praticamente sem chances pela demora no atendimento, imagina esperar uma ambulância que fazia o transporte de uma criança de Guaraí para Palmas e que apresentara problemas mecânicos no meio do caminho!!! E cuja previsão era de até o meio dia da sexta!!! Ou seja, 21 horas de espera!!!! Uma distância de 60 km, 40 minutos, entre a vida e a morte!!!
Evidente que não faz sentido. Assim como não faz sentido a Secretaria justificar que os parentes não precisavam mais da ambulância sem explicar, então, por que motivos necessitariam de coleta junto a amigos para pagar uma particular!!! A família teria feito uma "vaquinha" por esporte!!!
A situação reforça a negligência governamental no setor. A empresa que prestava serviços de UTI terrestre deixou de atender o governo por falta de pagamento (um débito informado de R$ 1 milhão em quatro meses) e a administração teria contratado outra que não teria condições de fazê-lo diante da demanda nem veículos com as condições técnicas exigidas. Tanto que um paciente foi a óbito em Arraias, há duas semanas, justamente por isto: recusa do médico a autorizar o transporte em tais viaturas.


