Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Saúde dizendo desconhecer os 20 óbitos nas UPAs da Capital por atraso na Regulação só este ano sem demonstrá-lo é tática suicida. Secretaria não teria sequer controle dos pedidos e dos óbitos que é obrigatório aos médicos e ao sistema

16/05/2023 473 visualizações

Definitivamente, a administração da saúde pública não é para principiantes nem aspirantes a tecnocratas que defendem soluções técnicas para problemas difíceis sem levar em consideração particularidades humanas e sociais.

Pretextando refutar os apontados 20 óbitos em 2023 nas UPAs à espera da regulação do HGP na Capital (41 mortes em um ano conforme levantamento do JTo/TV Anhanguera) – dois pacientes só da Capital a cada mês - , a Secretaria de Saúde limitou-se a uma lacônica nota dizendo desconhecer as mortes.

A negação não altera o colocado, tampouco desvia compreensão de responsabilidades. E por que? A Secretaria deveria, para ser levada a sério, demonstrar que as UPAs não pediram vaga na Regulação. E não apenas expressar desconhecimento de óbitos. Vai perguntar isso aí para as famílias dos pacientes!

Não demonstrando-a, a seriedade da ação pública residiria na denúncia dos óbitos que, por gravidade, seriam convalidados, realçando o que seria a verdade que teria provocado como consequência óbitos de pessoas na rede pública de saúde.

Como é óbvio, os pedidos de vaga tem que ser demandados pelo médico responsável pelo paciente (e não pela Prefeita como sugere o Secretário) que determina a remoção em função de gravidade, urgência e emergência. Uma distorção disso implicaria em mais envolvidos: o Conselho de Medicina e o Ministério Público. São procedimentos e atos médicos e não administrativos.

O número de óbitos, suas causas e consequências, seria muito simples para a Secretaria contraditar de forma séria: era só abrir o sistema e conferir os pedidos com os óbitos que também são registrados junto com as suas causas. E mostrar à população

Ainda que isto não trouxesse de volta os que morreram. E nem colocasse termo no problema causador de repetidas mortes posto não enfrentada a causa. Só a consequência.

É uma tática (dentro de outra estratégia) que mantém a Secretaria em sua sua suposta defesa, que termina por, mais uma vez, encobrir o que de positivo tem feito o governo. Ou seja, o principal (as ações relevantes) viram acessório da verdade alternativa que é alternativa justamente por não demonstrada.

Informou a Secretaria, por exemplo (que terminou se transformando em acessório quando se busca entender a nota e o problema) que o governo trabalha para melhorar a situação da Regulação e até um alinhamento com os 139 municípios para evitar a transferência de pacientes sem “perfil clínico” para as unidades de média e alta complexidade.

A nota, entretanto, tem sua relevância: a Secretaria de Saúde, ainda que de forma transversal, assume sua parte na responsabilidade sem apontar o dedo para a Prefeitura de Palmas responsável pelas UPAs. E a vontade de modificar a situação.

Ativo que desaparece na insuficiência da contestação dos óbitos que, na prática, avalizam a compreensão de que a Secretaria de Saúde do Estado não está na melhor direção neste aspecto.

E que,se não há negação demonstrada das mortes, prevaleceria os óbitos por que facilmente comprováveis no próprio sistema de Regulação.

 

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