O Brasil é deveras um país surreal. O presidente da República, Lula, sabe-se nesta quarta, antes de entrar de férias, deixou assinado o reajuste do salário mínimo para R$ 1.412,00.
Essa grana toda aí é revelada uma semana após deputados federais e senadores (apoio unânime da bancada do Estado) aprovarem o aumento do ervanário a ser desviado do contribuinte para gastarem com seus candidatos nas eleições municipais de 2024: R$ 4,9 bilhões.
Rejeitaram a proposta do governo no OGU de R$ 900 milhões e o valor intermediário de R$ 2,7 bilhões proposto pelo presidente do Congresso, apenas corrigindo os R$ 2,034 bilhões de 2020.
Esses R$ 4,9 bilhões são, portanto, R$ 2,866 bilhões a mais que os R$ 2,034 bilhões do fundo de campanha da última eleição municipal (2020).
Já aqueles R$ 1.412,00 do reajuste do mínimo representam R$ 363,00 acima dos R$ 1.039,00, do salário mínimo de 2020.
Ou seja, a grana para campanha de prefeitos foi reajustada, em quatro anos, em 140,9% e o salário mínimo da turma que paga o mimo foi elevado em apenas 34,9%.
Mais: o governo justifica que não pode elevar mais o mínimo porque aumentaria as despesas e faltaria grana para a administração pública beneficiar a população.
Já os parlamentares encontraram a fórmula mágica: retiraram a grana para suas campanhas políticas das verbas que seriam destinadas às emendas parlamentares (reduziram-nas no orçamento de R$ 12,5 bilhões para R$ 8,5 bilhões).
Ou seja, o governo não aumenta o mínimo para sobrar a investimentos. Os deputados retiram dos investimentos para colocar na campanha.
E ainda se quer que se leve a sério um Congresso desses!!


