Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Risco à democracia não foi extinto com a contenção da intentona de golpe de janeiro. Ele continua vicejando nas instituições democráticas. Uso distorcido da hegemonia gramsciana ´

10/06/2023 487 visualizações

Decorridos cinco meses de governo, mais um pedido de impeachment do presidente Lula foi protocolado ontem por deputados federais. Já são seis os pedidos que cabe ao presidente do Legislativo, deputado Arthur Lira, colocar em pauta ou arquivar.

Os pedidos, autores, motivação e objeto não diferem, em essência e substância, daqueles protocolados contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, de janeiro a maio de 2019 (seu primeiro ano de governo): dois por crime de responsabilidade e um por omissão. Lula, até agora, é acusado apenas de crime de responsabilidade.

Diferenças nada irrelevantes: os pedidos contra Bolsonaro em 2019 foram protocolados por cidadãos comuns. Contra Lula, em 2023, por parlamentares da oposição. No último, com assinatura de deputados de partidos aliados: PSD, MDB e União Brasil que tem, juntos, oito ministérios. Os pedidos contra Lula são o dobro daqueles contra Jair no mesmo período de governo.

A situação joga luz nos problemas que enfrenta a democracia brasileira, não só no Legislativo ou Executivo, mas também no Judiciário como se viu (e ainda se vê) na Operação Lava-Jato e seus desdobramentos. O lawfare não é mais uma ficção estrangeira e se espalha pelo país. É real.

E faz-nos revisitar a lenda de Édipo e a Esfinge, às portas de Tebas: decifra-me ou te devoro. A história, assim, diante de alguns acontecimentos e problemas que envolvem diretamente a vida de todos e de cada um, apareceria diante de nós propondo questões de importância vital como se fosse uma moderna esfinge.

Os deputados oposicionistas devem estar mirando Lula: decifra-me ou te devoro.

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