As críticas de ontem do prefeito Ronaldo Dimas ao governo do Estado na administração do Covid-19, paralelo à questão eleitoral, impulso nítido do prefeito, joga luz nas prioridades públicas e, assim, expõe deficiências governamentais e parlamentares.
De que é exemplo eloquente a destinação de emendas parlamentares de um deputado federal da cidade de Araguaína (Tiago Dimas) para dez UTIs de um hospital particular, ainda que os hospitais públicos de UTI fossem deficitários. Contrariando as prioridades públicas defendidas pelo prefeito e criticadas por supostamente faltarem ao governo. São UTIs que agora farão falta à população que depende do sistema público de saúde.
Ronaldo Dimas, aliás, (nas suas idas e vidas no combate ao Covirus-19) comprou mil testes e pediu para o Governador o avião para buscá-los, como apurou o blog. O Governador autorizou de imediato. E teria transferido recursos para os municípios. Já foram R$ 4,5 milhões nos últimos dias como é público. Não é exemplo clássico de omissão.
Por outro lado, indiferente às críticas, no Estado o governo se vira nos trinta para manter e equipar 18 hospitais regionais públicos sem verbas parlamentares. E aí quando aparece uma crise dessas, o problema se agrava.
E por que? O Laboratório Central do Governo é único que realiza os testes do Covirus no Estado, que também carece de UTIs. Na grande maioria das cidades, os hospitais do governo preenchem o vazio da falta de hospitais de urgências municipais. E o SUS é tripartite: obrigação do governo federal, estadual e municipal.
Ou seja, quando se critica o governo por seus equívocos está se colocando de lado a omissão deliberada das prefeituras municipais que termina passando à população que a responsabilidade pela saúde é apenas do Executivo estadual. O HGP é um exemplo notório disso: programado para ser de referência e alta complexidade, é entupido de pacientes que os municípios despejam nos seu corredores.
Resultado: o governo só tem 131 leitos de UTI no Estado (destinou para o Covirus 52 leitos clínicos, um leito de isolamento e outros três de terapia intensiva). Se o contágio recrudescer, a situação se complica. O poder público estadual tem hoje 223 leitos equipados com ventiladores mecânicos. E está ampliando UTIs no HGP, no Hospital Regional de Gurupi e no de Augustinópolis. Sem recursos de emendas federais.
É pouco, entretanto, para uma população de 1,572 milhão de pessoas onde estima-se que 5% (78 mil pessoas) poderão ser contaminados e 0,02% podem ir a óbito, conforme aquele estudo inglês divulgado ontem. Ou seja, a conferir, haveriam 314 óbitos no Estado (44 mil no país, caso os cuidados fossem mantidos).
É neste contexto que se prioriza campanha eleitoral à campanha de combate ao Covid-19. As circunstâncias exigiriam que prefeitos, deputados e senadores estivessem junto com o governo buscando alternativas e recursos federais para mitigar a crise de saúde no Estado em que o pior ainda está por vir.


