O governo reagiu ontem e fez circular nas redes sociais publicações do governador Wanderlei Barbosa ressaltando o apoio (em forma de recursos) aos municípios.
Aliás, não só o Palácio Araguaia, mas no país as redes sociais tem sido instrumento de governos e parlamentares. Os seguidores de "influencers" se transformaram em eleitores e lideranças políticas. Pode não ser suficiente nas urnas.
Não há dúvida. Não é este, os recursos a prefeitos, o ponto cego. E sim, do ponto de vista eleitoral, a alquimia do voto no que dela pode aproveitar o grupo político no governo. Se muitos dos prefeitos irão disputar pela primeira vez os municípios, outro tanto vai à reeleição.
Tencionar começar do zero-prefeito nas eleições 2024, numa hipotética estratégia eleitoral, pode não ser a melhor das táticas por óbvio: a possibilidade dos novos prefeitos aderirem a partido do governo (Republicanos) ou de a legenda eleger seus próprios chefes de executivo é fifty-fifty. E se de fato até agora isto não ocorreu acima do 50% a 50% algo não iria bem: a estratégia ou a relação sujeito/objeto.
É legítimo aos governantes, com efeito, defender o prosseguimento de sua política de administração da coisa e dos recursos públicos.
E o que ele tem a oferecer é o resultado desta política junto aos eleitores e seus líderes.
No caso dos prefeitos, a política de Wanderlei Barbosa entregou aos municípios este ano (até a dois dias do final do ano) – de ICMS, IPVA, IPI – o equivalente a R$ 1,548 bilhões
O valor é R$ 230 milhões (17,4%) a mais que os R$ 1,318 bilhões repassados em todo o ano de 2022. E 62 % (R$ 593 milhões) acima dos R$ 955 milhões repassados em 2020, pelo ex-governador Mauro Carlesse, na última eleição de prefeitos.
Se considerarmos apenas o período administrado por inteiro por Wanderlei Barbosa, o governo saiu de transferências municipais de R$ 1,204 bilhões (dezembro/2021) para os R$ 1,548 bilhões (2023).
Ou seja, 28% a mais. E com a crise da redução de impostos nos combustíveis, energia e comunicação.
Nesse período só de Wanderlei, por outro lado, a arrecadação tributária cresceu apenas (nominalmente) 12,6%. Saiu de R$ 5,481 bilhões (2021) para os R$ 6,172 bilhões até novembro de 2023.
Se considerarmos a média mensal de R$ 561 milhões, a arrecadação tributária pode elevar-se a R$ 6,733 bilhões. Ainda assim um crescimento de 22% contra os 28% que ele repassou a mais aos prefeitos.
A inflação no período apontada pelo IBGE foi de 9,82%. Isto resulta num crescimento real de repasses do governo de Wanderlei da ordem de 6% no período.
E os prefeitos calados ficaram e em silêncio continuam


