Os proprietários de frigoríficos intensificam a pressão pelo retorno dos subsídios. Os deputados não esboçaram, até agora, reação em defesa do governo e de mais recursos para o tesouro estadual aplicar na sua atividade-fim. Pelo contrário, agrupam-se pela derrama.
E, com isto, com em uma ação coordenada, facilitam a preservação da reserva de mercado dos grandes exportadores. Como é sabido, na maioria dos municípios do Estado não existe matadouro municipal e prefeitos e governo não os priorizam. Não se vê deputados por sua construção.
Resultado: como a legislação sanitária obriga executar e descarnar o gado em matadouros, os moradores das pequenas cidades ficam frigorifico-dependentes a distâncias consideráveis que elevam o preço do produto no supermercado.
Os empresários do Estado (não só os grandes frigoríficos), observando a Lei de Diretrizes Orçamentárias do governo, tem um tratamento fiscal que não proporciona a contrapartida correspondente.
Da previsão da LDO de 2018 para a da LDO 2021 (constante na LDO 2019), o governo terá elevado em 79,5% as isenções fiscais. Um aumento de R$ 272 milhões entre os R$ 342 milhões orçados em 2018 e os R$ 614 milhões que a LDO de 2019 prevê o governo conceder em 2021. Com inflação anual na casa dos 4% e em queda livre.
E o que há do outro lado: relatório do Sine (julho de 2019) índica que no Estado houve um aumento no número de desligados (desempregados) da ordem de 9,56% comparando com junho 2019. Ainda que se considere as vagas abertas, o resultado da abertura de novos postos de trabalho foi negativo, com redução na queda de emprego. Isto aí com todos os subsídios existentes.
Considerando estudos do Sine (com base em números do IBGE) que que a população em idade de trabalhar representasse 78,5% (dos 1,572 milhões de habitantes) e ter-se-ia uma PEA de 927 mil de pessoas (59%), há aí uma diferença de 307 mil. Ainda pelo IBGE, os ocupados nessa PEA seriam 87,5% da PEA, o equivalente a 811 mil pessoas (ou 116 mil pessoas desocupadas).
Uma conta falaciosa porque na verdade as pessoas em idade de trabalhar (78,5% da população) seriam 1,234 milhão que retirando as ocupadas (811 mil) teríamos, na verdade um exército de 432 mil desempregados em idade de trabalhar. A diferença entre as pessoas em idade de trabalhar e as efetivamente ocupadas.
Mas os incentivos de R$ 1,142 bilhão aos empresários (identificados pelo TCE nos últimos anos) estão aí. Sem que suas supostas relevâncias se transformasse em mais empregos proporcionalmente ao que ganham com os benefícios.
Passa da hora do governo colocar isto em pratos limpos.


