Os 24 deputados não perderam a posse em definitivo do governador Wanderlei Barbosa que se deu ontem, um dia antes do aniversário do Chefe do Executivo estadual neste sábado. Para um grupo deles que já conversava abertamente em reuniões fechadas com secretários estaduais na semana passada sobre procedimentos da renúncia, no entanto, mero cumprimento protocolar a emoldurar a passagem dos anos de Wanderlei, sua confirmação na cadeira de governador (onde tem desempenhado papel relevante) e o retorno de Mauro Carlesse ao foro judicial não privilegiado. E que, intui-se, já soubessem (ou prenunciassem) na histórica unanimidade do parecer na quinta (favorável a Wanderlei e desfavorável a Carlesse), um dia antes, tornando a sessão numa mera encenação.
Fato que sugere, no entanto, ter sido a entrega do cargo por Mauro Carlesse certo modo negociada, ainda que por termos não formais mas implícitos garantidores do atual governo de algum tipo de segurança ao agora ex-governador que tanto Polícia Federal, Ministério Público Federal ou Judiciário não podem (e certamente não o farão), legítima e legalmente, com ele assentir sem serem acusados de leniência, prevaricação ou desvios processuais.
Uma movimentação política paralela mas de igual modo assertiva na consecução de finalidades buscadas. Desde a indiferença dos parlamentares, na unanimidade do parecer da comissão processante às provas exigidas pelo devido processo legal, à explícita negociação em curso por cargos vitalícios a deputados processantes no Tribunal de Contas do Estado, sem as requisitos e condições constitucionais exigidas e vacância no Conselho
Tratativas anuídas politicamente no privado – ainda que de difícil consecução sem o confronto com ilegalidades no público - pela espécie de consórcio que se formou em torno do governo interino em desfavor do governo afastado em meio à rigidez da legítima e necessária cobrança de transparência institucional e seriedade na aplicação dos recursos e no trato da coisa pública. Acelereção que, em ano comum já prejudicaria a Administração e seus gestores, em pleno calendário eleitoral em curso, eleva o risco em escala geométrica.
Mauro Carlesse, como claro, exerceu um direito ao renunciar ao cargo que certamente já o faria daqui a 20 dias no prazo legal de desincompatibilização, eliminando o objeto do impeachment no Legislativo.
Mas, com o expediente de ontem, desmontou o palanque eleitoral que já se formava onde seria o Judas a ser malhado. Apesar de durante mais de três anos ter garantido com métodos ponderáveis e imponderáveis, financiamentos ortodoxos e heterodoxos, a mesma unanimidade parlamentar revelada há dois dias em seu desfavor na Assembléia.
Mesma unidade necessária a conceder condições de governabilidade a Wanderlei Barbosa, agora em definitivo no cargo.


