As estatísticas, em certo grau, são armadilhas.
Dá-se como feito econômico e social relevante o rendimento domiciliar per capita do Estado divulgado ontem pelo IBGE.
Ali, o Tocantins está na metade da régua: há 11 Estados com maior renda que ele.
Tem em seu favor, evidentemente, que outros 15 Estados estariam com renda inferior.
A renda média domiciliar per capita do Tocantins seria R$ 1.581,00. E um pibão de R$ 51 bilhões.
O mesmo IBGE registrou no 4º trimestre de 2023 (PNAD trimestral) um rendimento médio mensal real das pessoas de 14 anos ou mais ocupadas da ordem R$ 2.603,00.
O valor é R$ 257,00 superior aos R$ 2.346,00 do mesmo rendimento real captado pelo IBGE no 4º trimestre de 2018. Antes da pandemia.
E, também, muito claro superior ao rendimento médio per capita de R$ 1.581,00 divulgado ontem e celebrado hoje. Lá em dezembro de 2023 não se comemorou os R$ 2.603,00.
Politicamente, entretanto, tem sentido.
A inflação de 2019 a 2023 (pelo IBGE) foi de 29.34%. Ou seja, muito superior aos 10,82% da variação do rendimento real entre 2019 e 2023. Pior ainda sobre a renda média per capita.
Mas lá havia uma perda. Agora, comparando por exemplo a renda média per capita de 2021 (R$1.028,00), a renda de ontem apresentaria um crescimento e não perda.
Ainda que rendimento per capita e rendimento real digam significados diferentes, o segundo, por lógica, por ser o real de cada pessoa, tende a aproximar-se mais da realidade do que o primeiro. E nele a massa perdeu e não ganhou.
E que, especialmente a renda média familiar per capita no Estado, sofreria certamente, também influência dos R$ 3 bilhões a mais de salários pagos pelo poder público estadual aos cerca de 30 mil empregados efetivos em 2023, como demonstram os balanços do Executivo.
Acréscimo que implicaria no cálculo familiar per capita destas 30 mil famílias. Algo próximo de 8% das famílias do Estado.
E ainda tem nestas estatísticas, no mesmo período, o PIB per capita (divisão das riquezas produzidas em um ano pela população) de R$ 32.214,00 anuais. Ou seja, R$ 2.684,5 mensais. Um céu desenhado pela exportações sem tributação;
E que não chega aos 700 mil desocupados (também IBGE) e às 933 mil pessoas no cadastro de benefícios sociais do governo fedeal. Cerca de 480 mil pessoas (MCidadania/fev/2024) estão recebendo o Bolsa Família no Tocantins e com renda de metade do minimo.
Mas os políticos preferem aplicar morfina ou anestésicos de números questionáveis da economia na população para não serem confrontados o serviço contratado, bem pago e mal feito.
Estatísticas, como disse, dependendo da forma como são utilizadas, não abrem portas. Derrubam arapucas, prendendo idéias. Empirismo sem o racionalismo ou método, tanto na captação quanto na segregação dos números, pode levar a conclusões distorcidas.
E o prejuízo sempre sobra para alguém. O problema é que para os políticos (ainda mais o novatos) somente suas idéias são as mais fantásticas do planeta.
O resultado está aí. Recorrente e renitente em 35 anos de Estado..


