Na contabilidade pública, a filosofia numérica do grego Euclides em Os elementos teria certamente seus óbices “semânticos”. Euclides cunhou, dentre outras definições, que ponto é aquilo de que nada é parte e linha é comprimento sem largura.
No Estado, aguarda definição do Palácio o encaminhamento à Assembléia do projeto que pretende dar à Previdência dos servidores um mínimo de segurança, regras mais compatíveis com o orçamento público e busca de fontes alternativas de financiamento.
As circunstâncias e os números são favoráveis a acordos entre servidores e governo que reduzam o ônus ao contribuinte. Até porque, se fronteira é aquilo que é extremidade de alguma coisa – para Euclides – o Estado já teria ultrapassado a sua.
E não se pode dizer de ineficiência administrativa ou deficiência de vontade política. O governador Wanderlei Barbosa assumiu o governo com o Igeprev contabilizando investimentos/aplicações de R$ 3,854 bilhões (dezembro/2021) e fechou o 1º quadrimestre de 2023 somando investimentos/aplicações de R$ 4,058 bilhões.
Ou seja, as aplicações/investimentos foram recompostos a uma soma maior que o volume que era aplicado em 2019, de R$ 4,019 bilhões (R$ 39 milhões a mais). No período, a inadimplência dos governos obrigou o Igeprev a retirar recursos aplicados para pagar aposentados e pensionistas que terminou reduzindo o saldo bancário para os R$ 3,8 bilhões em dezembro de 2021.
Em um ano e meio, o governo de Wanderlei Barbosa recompôs o saldo do Igeprev em R$ 1,474 bilhões (até o primeiro quadrimestre de 2023). Passou daqueles R$ 3,8 bilhões para os atuais R$ 4,058 bilhões (balanço publicado no DO no dia 26 de maio de 2023).
Diferente de Euclides, ponto, aqui, não é aquilo de que nada é parte. E a linha de lá até hoje não é comprimento sem largura.


