Portais já amplificam reportagem do Jornal do Tocantins de ontem acerca do pedido de duas marcas internacionais de bolsas para integrarem o processo que investiga o governador afastado Mauro Carlesse.
A informação não é nova (é pública desde a semana passada quando retirou-se o sigilo) da mesma forma como é irrelevante para o processo. Serve-se mais a realimentar a ação dando-lhe a cada dia um fato mesmo velho com sentido de nova acusação.
Na prática, repete os vazamentos seletivos que deixaram de ser relevantes, por lógica, com a suspensão do sigilo e abertura para defesa dos acusados.
Como não há mais o que ser vazado, dá-se seguimento a uma nova narrativa, afinal as redes sociais precisam consumir alguma coisa que reforce a imagem que muitos setores corporativos engajados de interesses contrariados apontaram no governador afastado.
Não se vê, com efeito, a Louis Viton ou a Chanel querendo ser parte (ou amicus curiae) em processos que investigam, por exemplo, políticos ladrões por contrafação nas bolsas usadas por suas esposas, adquiridas na Feira de Importados, em Brasília (DF) ou na Rua 25 de março (São Paulo).
Ademais, para um grupo acusado de desviar R$ 44 milhões dos cofres estaduais, seria risível sair por aí adquirindo produtos falsificados para não gastar alguns trocados de reais, onde R$ 20 mil de uma bolsa seria dinheiro de troco.
Sem prejuízo do raciocínio de que, fosse considerado como existente o crime de contrafação (falsificação de produtos/bolsas) as esposas dos acusados que as adquiriram seriam, na verdade, vítimas e não autores como sugere a forma utilizada para sua exposição pública. Afinal, o crime é de quem falsifica e não daquele a adquire.
Mas já podem sair por aí apontando: viu o novo escândalo do Mauro Carlesse!!!! Não importando sobre o que se aponta de fato.


