Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Recuo de Vicentinho pode ser estratégia para avançar. Mas expôs patrimonialismo indefensável na comissão provisória do PL regional

03/09/2021 1055 visualizações

O retorno do ex-senador Vicentinho Alves à presidência regional do PL no -Estado (fusão do PR com o Prona) - depois de deixar cargo no governo federal – é um substrato da relação do Centrão com Jair Bolsonaro.

Com 18 anos de parlamento (onze dos quais no Congresso) o ex-senador deixou diretoria no Ministério do Turismo para não torrar sua densidade eleitoral em cargo burocrático, na frigideira de um ministro sem voto.

Mas com uma sanfona debaixo do braço e auxiliado pela farta rede de intrigas ministerial e regional. Afinal, diretor de infraestrutura sem infraestrutura para dirigir é para sem-votos. O óleo queimava na frigideira. Nada de anormal nos movimentos políticos da democracia.

O que não é o caso de Vicentinho que na última eleição que disputou para o Senado (2018) obteve 13,81% dos votos do Estado. E nas eleições suplementares  ao governo teve 22,18% dos votos no primeiro turno (contra 30,33% de Mauro Carlesse) perdendo no segundo turno para o atual governador por 75,14% a 24,86%.

A recuada, portanto, é estratégica. O Senador tem clareza que político sem mandato não é nada e 2022 está aí na esquina. O PL que volta a presidir é apenas uma Comissão Provisória, sujeita a intervenções pela direção nacional já que não foi eleita em convenção partidária. E sim nomeada, muito explícito na troca de comando entre pai e filho na direção regional, expondo um patrimonialismo partidário inadequado.

Como não há vácuo na política sua posição no campo de visão de Jair Bolsonaro pode ser preenchida pelo senador Eduardo Gomes (MDB), que já é líder do governo federal no Congresso. E que pode ser sobreposta, dependendo dos resultado de Vicentinho na empreitada.

Ainda que o Centrão conserve sua estratégia de puxa/encolhe para obter, por chantagem, maior fatia do governo, a volta de Vicentinho à base indicaria, pode-se deduzir, preocupação com os colégios eleitorais. E aí não se afastaria do escrutínio de que, para não perder os dedos, teria entregue os anéis.

Se agrupar-se a outros bons de votos que já estão nas ruas, poderá dar trabalho para o grupo palaciano que tem, como reclama o próprio Vicentinho Alves, tratado o ex-senador como mais que adversário, inimigo.  Mesmo que o Palácio tenha dado seguidas demonstrações de ser aliado de Jair Bolsonaro que continua com Vicentinho, apesar da saída do ex-senador do cargo.

De outro modo: o fogo amigo não será controlado. Até porque não se viu bombeiros tentando fazer aceros para estancar as fagulhas nos últimos três anos.

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