A reação do deputado Leo Barbosa à decisão do STF (em nota) tem relação mais com o filho do governador contrariado do que com o parlamentar mais votado nas eleições do ano passado.
Primeiro, informou (conforme vai no JTo) que irá recorrer da decisão quando ainda não representa o poder Legislativo, ainda não é o presidente.
Não é parte ainda. As partes no processo são o PSB, a Assembléia Legislativa e a Procuradoria do Estado (por que o Governador sancionou a EC quando o Legislativo poderia simplesmente promulgar)
A inconstitucionalidade é da EC e não do processo eleitoral dela consequente. Tanto é que o STF manteve a eleição de Amélio Cayres para o primeiro biênio.
A outra reação é mais passional ainda. Leo Barbosa (ainda conforme o Jornal do Tocantins) declara que o próximo presidente do Legislativo será quem tiver mais votos.
O raciocínio sugere, por pura lógica inversa, que a eleição de Leo Barbosa e Amélio Cayrfes questionada no STF não o tivesse sido.
Ainda que seja incontestável o poder político do governador de que o deputado é filho sobre os deputados conferido na unanimidade dos votos a Leo Barbosa para presidência no segundo biênio que o parlamentar, agora, levanta suspeitas de que talvez não os tivesse.
Pior: dá a entender que o Supremo Tribunal Federal ao afirmar o texto constitucional estaria negando o princípio do voto democrático. Melando a eleição, derrotando o parlamentar no grito. Uma narrativa bolsonarista.
O deputado do Republicanos tem o direito legítimo de se candidatar a presidência da Assembléia Legislativa durante o mandato do pai no comando do Executivo.
A questão é de outra natureza: se eleito para o segundo biênio terá como obrigação fiscalizar o Executivo comandado pelo pai. Não é preciso realçar as incompatibilidades.
Nada mais eloquente do que a manchete do JTo sobre o assunto nesta sexta: Filho do governador aguarda intimação do STF e avisa: próximo presidente será quem tem mais votos”.
Ou seja, já se vê Leo, bem a propósito em função das ações, como o filho do governador e não como o deputado com maior votação no ano passado.
Para se ter uma idéia, não me lembro de uma manchete tipo "filho de Siqueira Campos vai..." para se referir ao ex-deputado federal, ex-senador, ex-prefeito de Palmas ou ex-secretário Eduardo Siqueira Campos.
Wanderlei faz um bom governo e Leo Barbosa tem um futuro pela frente. Não podem dar indícios de que pretendem reescrever a história de familiocracia que o eleitor do Estado negou com sua eleição.


