Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Reação de Junior Geo a Eduardo no Podemos sugere que o PSC é que teria incorporado o partido de Dimas e não o contrário!! E é consequência do seu próprio aparente murismo político!!

30/09/2023 1400 visualizações

A escolha muito clara da direção nacional do Podemos/PSC do ex-deputado Eduardo Siqueira (sem mandato) em detrimento do deputado Junior Geo (com mandato) tem, como é notório, mais correspondência com projetos políticos partidários do que ativos eleitorais. Estes, pelo sistema eleitoral vigente, por óbvio, vem depois daqueles. Afinal, não há candidatura sem partido e partido sem estatuto e projeto.

E resulta, em larga medida, da falta de opção colocada pelo próprio Geo à legenda ao esgueirar-se entre oposição e situação na sua atividade político-parlamentar. Adicionando a isto o diferencial de articulação política de Eduardo Siqueira (e o seu histórico), tornaram-se reduzidas as chances de Geo de determinar sua própria candidatura a prefeito pelo grupo.

Junior Geo obteve 12 mil e 798 votos para deputado estadual no ano passado. Destes, 7 mil e 601 (58%) na Capital. Só teve menos votos que Janad Valcari (13.444) e Eduardo Mantoan (9.135). Nas eleições para prefeito de Palmas, em 2020, só teve menos votos que a prefeita eleita Cínthia Ribeiro, apesar dos poucos recursos financeiros declarados que gastou. Teve 14,52% dos votos (18.523) contra os 36,24% de Cínthia (46.243 votos). Não é musculatura eleitoral a ser desprezada. Mas necessitada de estratégia melhor pensada.

Nada tão eloquente que sua reação ao “golpe” mais reveladora de tibieza política do que injustiça ou infidelidade partidária. A incorporação (e não fusão) do PSC ao Podemos deu a este o comando da nova legenda. Diferente da fusão, cabe ao PSC adotar os estatutos e comandos do Podemos. Junior Geo era do PSC. O seu partido é que incorporou-se ao Podemos (comandado por Tiago Dimas) e não o contrário.

O grupo (aprovado pelo TSE em junho último) tem 18 deputados federais (podendo ter outro, o próprio Tiago Dimas, que pode ser beneficiado com a decisão sobre sobras eleitorais em tramitação no STF) e sete senadores. Não é pouco. E isto é o que conta.

O ex-deputado Eduardo Siqueira descartou ao blog na noite de ontem que tivesse se movimentado ilegitimamente para ocupar o espaço de Geo, até porque não tem cargo na direção regional e sequer é filiado à legenda ainda. E não tem mandato para contrapor-se aos ativos eleitorals de Junior Geo.

O Podemos (que incorporou o PSC) é oposição no Estado. O suplente de deputado Tiago Dimas (que o comanda) segue o grupo do pai, ex-prefeito Ronaldo Dimas, que disputou o governo justamente contra o governador Wanderlei Barbosa.

E do qual Junior Geo é considerado - no entorno do Governador - como um dos prováveis nomes na lista para disputar a prefeitura da Capital. Apoio a que pode somar-se a prefeita Cínthia Ribeiro. Proximidade pública que Junior Geo escancara.

Tem agora a possibilidade de escolher filiar-se a um partido da base do Palácio Araguaia e tentar viabilizar sua candidatura que os números eleitorais o incentivam. O TSE avalia se a incorporação dá direito a mudar de legenda sem perder o mandato. Se não autorizar, tem a janela partidária de abril do próximo ano para fazê-lo.

Há, com efeito, diferenças pontuais entre Geo e Eduardo. O primeiro publicamente diz-se oposição, mas vota com o governo. Eduardo estava em partido da base aliada (UB) e dizia-se da situação, como efetivamente o era. E não da oposição.

Por outro lado, para além da troca de figurinhas e salamaleques, a carta de Eduardo à presidente regional do UB, senadora Dorinha Seabra, e suas declarações após deixar o partido terminaram, na realidade,  selando duas vontades:

A de Eduardo encontrar no Podemos legenda para disputar a prefeitura da Capital que não tinha no UB e retirou das costas da Senadora o peso de ter que negar candidatura ao filho do ex-governador Siqueira Campos (criador da Capital e um dos fundadores do Estado), responsável direto por sua entrada na política que deu continuidade com mérito próprio.

Saiu de uma Secretaria (de um governo do MDB) direto para a Câmara dos Deputados, depois de ter sido nomeada por Siqueira Secretária de Educação, cargo que manteve no governo de Marcelo.

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