A prefeita Cínthia Ribeiro busca um vice para chamar de seu. Conheceu a prazo (de registro de candidaturas expira nesta sexta), o paradoxo de significante e significado. Uma antinomia recorrente na política mas nem sempre identificada. E aí excesso ou falta, que a maioria ignora nas suas ações, só se apresentavam nos resultados. Não raro, contrários ao objeto perseguido.
O vice Lucas Meira (tido como indicação do DEM quando ali teria sido colocado por Carlos Gaguim, Eduardo Gomes e Fernando Rezende) só se sustentaria - tudo indica pelo que já se conhece nos bastidores de seus antecedentes empresariais e relação com a Justiça - se a prefeita pouco ligasse para a LC 135 (a conhecida Lei da Ficha Limpa) que, a despeito de afastar apenas fichas corridas (sentenciadas) de mandatos públicos (que não é, aparentemente, o caso do empresário), mantivesse inafastadas condutas morais sugestivas de prejudiciais à coisa pública.
E deixasse ao acaso (ou sujeita à sorte/azar) a possibilidade de enfrentar massa crítica de seus adversários (e da própria população) sobre a dicotomia entre ação e gesto que, se no sentido vocabular se completariam no antagonismo, na semântica (e no conceito popular) o ideário comum é que se apresentem como unos, em função de um só protagonismo público.
A teoria comungando com a prática formariam uma práxis altruista. Do contrário, confundiria o eleitor acerca de sua pública condição de elegível e de ficha limpa à reeleição. Um dos conceitos que formula na sua campanha para renovar o projeto político.
Não também por acaso, se levantam contra a decisão providencial da mudança (ainda que isto pudesse ter sido verificado antes da convenção) tributários daqueles que o indicaram. Um deles, que seria candidato a vereador, parente de um dos empresários considerados sócio do deputado federal Carlos Gaguim.
Mais: conforme se lê no portal do jornalista Cléber Toledo (Portal CT), o governador Mauro Carlesse não concordaria com o indicado para substituto. O governador é filiado ao Democratas (e que Carlos Gaguim tentou entregar-lhe o comando retirando-o de Dorinha Seabra) mas se posiciona, desde a filiação, contrário à direção que é aliada da prefeita.
Ainda que apenas especulações, independente das relações entre Carlesse, Gaguim e Dito Faria (pai do candidato a vereador que se diz opositor da mudança), a simples possibilidade atribuida ao Governador de concordar ou não concordar, sugerindo a necessidade de seu aceite, implica também no raciocínio de que estivesse interessado nas funções do vice-prefeito, tal como se levantam os empresários.
E que se note: sem qualquer reação do Palácio Araguaia (e com a participação do vice Vanderlei Barbosa) atribuiu-se na semana passada a Mauro Carlesse apoio à chapa do deputado Eli Borges/Joseph Madeira (presidente da associação dos empresários da capital). E aí não seria de todo errado enxergar nas duas chapas (com vices empresários amigos) o pé tanto de Carlesse como de Carlos Gaguim.
Lucas Meira é do Democratas, presidido pela deputada federal Dorinha Seabra que vem a ser esposa do ex-vereador Fernando Rezende (empresário do ramo imobiliário). Dorinha até agora não se posicionou e deveria. Caso contrário estaria terceirizando comando do partido ao marido e a Carlos Gaguim (também do Demcratas) e, por consequência, concordando em passar recibo na chapa sobre nome não muito ortodoxo com a coisa pública. E com tantos "passados" brigando por sua permanência.
Levando-se em consideração que a deputada Dorinha (sobre a qual não pesa qualquer dúvida sobre sua idoneidade) é a maior expressão feminina do partido em nível nacional (é presidente do Democratas mulheer nacional) e a relatora da PEC do Fundeb. O fundo que enviou para a Prefeitura de Palmas no ano passado algo próximo de R$ 200 milhões. E este ano já se aproxima de R$ 150 milhões os repasses e que, no vício político, é dado como pertencente ao partido a sua aplicação.
A reação à decisão de Cinthia demonstra, paradoxalmente, que a prefeita teria feito a coisa certa. Ainda que tarde mas a tempo de corrigir a chapa dentro do prazo eleitoral. E de dar à Prefeitura da Capital o seu papel constitucional autônomo e não um apêndice do Executivo estadual como já ocorreu em Palmas.


