A duas semanas das eleições, a campanha eleitoral em Porto Nacional ganha ares de comédia ou tragédia a gosto. A candidatura do empresário Ronivon Maciel (PSD) que começava a empinar tudo indica foi abatida por dois mísseis balísticos. Parece seguir em queda livre.
E se ela é atingida, favorece o candidato do PTB, ex-prefeito Otoniel Andrade, por pura lógica política: Ronivon se movimenta no mesmo eleitorado de outro candidato, o prefeito Joaquim Maia, de quem foi vice-prefeito. O eleitor que votou em Joaquim, é também o eleitor de Ronivon. Não se pode votar só no vice ou no prefeito.
Otoniel, como é notório, corre na sua própria raia que não é miúda, proveniente de sua ação social na cidade. Entre o botijão de gás, a cesta básica e equilíbrio fiscal, prefere (como preferia Lula/Bolsa Família e agora Bolsonaro/Auxílio Emergencial/Renda Brasil) os dois primeiros com alguma lógica: se não se come, a quem interessaria a economia dos cofres públicos!!
O tomorrow que atinge Maia (que é do MDB já tinha o partido dividido, o deputado Valdemar Junior apóia Otoniel) e Ronivon conflita com o eleitor cativo do candidato do PTB que já foi prefeito por três mandatos e navega sem intercorrências no seu eleitorado, praticamente o mesmo dos pleitos em que venceu como naqueles em que foi derrotado, entre 37,57% (2012) a 44,50% (2016)dos votos válidos. Quem vota nele, sabe o que está comprando. Se não aumenta o número, não perde eleitor.
De outro modo, se Ronivon derrete, empurra Maia para baixo. E como não há vácuo na política, os ativos se deslocariam a Otoniel. Ou seja: o ex-prefeito se beneficia de dois modos: com os passivos de ambos e com o racha entre os dois grupos. No mesmo diapasão em que mantém os já cativos de décadas.
Não sem motivos, a situação de ambos (Joaquim e Ronivon) foi agravada ontem com uma nota do PT do município deitando cobras e lagartos no ex-deputado Paulo Mourão que, no último final de semana, subiu no palanque de Ronivon onde já estava o ex-senador Vicentinho Alves e o federal Vicente Jr. Não engole o PT o voto do ex-senador a favor do impeachment de Dilma (ainda que o deputado Vicente Jr tenha votado não).
A executiva petista sugere que passada a eleição irá pra cima de Mourão que teria contrariado diretiva do partido de apoio a Joaquim Maia. Acusa o ex-deputado de ter mudado o domicílio eleitoral para Palmas sem comunicar o diretório e de ter entrado de licença do partido de 18 de setembro a 15 de novembro para desmoralizar o PT municipal da cidade. De outro modo: Paulo, do PT, estaria com Ronivon, mas o PT de Paulo, com Maia. Outro racha.
Somando a isto, tem-se os mais de 30 processos (Justiça Federal e Estadual) contra a esposa de Ronivon (são casados com comunhão universal de bens) que atingem, evidentemente, o candidato que poderia ser acusado (como já está) de fazer uso do nome da esposa nos seus negócios (os adversários vêem aí o motivo de não ter declarado patrimônio à Justiça Eleitoral). Ainda que dívidas não levem ninguém além da condenação civil, na administração pública e na política são símbolos relevantes.
Não é bem-visto,não sem motivos razoáveis, tanto do ponto de vista moral, ético e da administração pública, entregar um orçamento de R$ 240 milhões (orçamento da prefeitura de Porto/2020), a um político que teria R$ 1,2 milhão de dívidas (cerca de três dezenas processos em andamento e concluídos), com imóveis penhorados pela Justiça na ordem de R$ 1 milhão.
Ou que tenha sido chamado à Justiça Federal (no Pará) para dar explicações sobre sua suposta participação num esquema de comercialização de créditos tributários da Receita Federal, denunciado pelo Ministério Público Federal.
Ronivon foi tratado pela JF (sentença de 2018) como uma das vítimas e que teria sido levado a comprar os créditos (para abater em dívidas) sem conhecer o crime. Os criminosos foram condenados a mais de cinco anos de prisão. Mas os adversários ao amplificarem a suspeita, levantam dúvidas no eleitor.
Isto aí, a 15 dias das eleições praticamente entrega o Palácio Tocantins novamente ao ex-prefeito Otoniel Andrade, que já lidera as pesquisas à base de dois por um. A ver.


