As declarações atribuídas ontem ao deputado federal Carlos Gaguim (IUnião Brasil) pelo Portal CT dão a dimensão dos problemas enfrentados pela deputada federal Dorinha Seabra contra sua adversária direta (pelas pesquisas até hoje), senadora Kátia Abreu, candidata à reeleição.
Carlos Gaguim disse não se preocupar com sua reeleição e, numa ameaça velada a candidatos da UB, frisou que os desistentes devem devolver a grana ao União Brasil.
Não era recado, mas ordem a Gil Barison e Capitão Sulino. A lógica indica que candidatos desertores migrariam para adversários da aliança rompida. Nos últimos dias, o deslocamento de prefeitos e candidatos para Amastha e Kátia Abreu dão bem demonstração disso.
E que só não preocupam, de forma mais intensa, a candidatura de Wanderlei Barbosa (de quem Dorinha da UB é a candidata ao Senado) porque tanto a senadora Kátia Abreu quanto o Chefe do Executivo se dão a um armistício na campanha. Kátia não tem pedido voto para outro candidato ao governo, nem Wanderlei a tem atacado.
A despreocupação de Gaguim, portanto, é um eufemismo para questões da UB que levariam preocupação a qualquer candidato a menos de duas semanas das eleições. E que se note: provocadas pelo próprio UB e não por causas externas. Aliás, Wanderlei Barbosa já recebeu o dinheiro do UB (R$ 5 milhões). Mas Dorinha não tem os mesmos índices de intenção de votos do governador.
Se os votos de Kátia (que não declarou candidato nem bate em Wanderlei) podem seguir para Wanderlei, os de Dorinha (até a campanha aliada de Eduardo Gomes e Ronaldo Dimas), deduz-se, ficarão divididos entre Dimas e o Governador. Parte batendo e outra defendendo o governo. Isto, também por razão, implica em que se conclua que Dorinha, aparentemente, retiraria votos de Wanderlei e Kátia os acrescentaria. O recorte das pesquisas sugerem também isto.
A crise da chapa proporcional, por isto também, pode conduzir passivos à candidata da UB ao Senado talvez maiores do que o desvio de votos de Wanderlei. Daí Dorinha não acompanhar as intenções de votos do Governador e Kátia reverter a situação de quando entrou em campanha, somando mais ativos que passivos.
E com viés de subida na reta final, com o seu marketing de resultados substanciais comprovadamente conhecidos (mas injusta e inversamente submersos por rejeição pessoal ainda que os políticos não sejam eleitos para serem bonzinhos mas levar resultados), sobressaindo-se à conversa mole da propaganda eleitoral da deputada (que tem também serviços prestados), linkando toda seu produto ao Fundeb!! Monotemática ao extremo! Seja por opção ou falta dela.Um lero que o próprio Wanderlei deixou para trás na metade da campanha.
E qual é o núcleo da crise à porta da eleição?Se Gaguim que é candidato à reeleição (já foi deputado e governador) teve da UB recursos de R$ 2 milhões, a professora Ângela (da Faculdade de Ciências do Tocantins/Araguaína) na sua primeira disputa eleitoral (concorrendo a deputada federal como Gaguim) teve de Dorinha Seabra o montante de R$ 870 mil em agosto e setembro.
Araguaína é o segundo maior colégio eleitoral do Estado. A briga financeira, obvio, favorece Lázaro Botelho, do PP de Kátia Abreu. E corrói os votos de Gaguim no município que já tem outro candidato forte, Tiago Dimas.
Já a enfermeira Sol (que teve 1.747 votos na eleição para deputada estadual em 2018) – suplente de vereadora em Palmas - recebeu da UB até hoje R$ 1,6 milhão para disputar a Câmara dos Deputados como Carlos Gaguim.
De outro modo: uma vereadora suplente em Palmas, com menos de 2 mil votos na última eleição estadual, foi aquinhoada pelo partido de Dorinha com 80% do valor destinado à reeleição de um ex-governador na Câmara dos Deputados. O valor é 32% dos R$ 5 milhões que o UB internou na campanha de Wanderlei e 57% dos R$ 2,8 milhões da campanha da própria Dorinha.
E que se note: Gaguim já tem adversários em Palmas fora do UB: Eli Borges, Dulce Miranda, Vicentinho Jr, Osires Damaso, Antônio Andrade, Ricardo Ayres, Martha Ramos, Filipe Martins para ficar só nestes no maior colégio eleitoral do Estado.
Talvez faça algum sentido, assim, a ameaça (e orientação) para que Gil Barison (que foi candidato a prefeito de Palmas) devolva os R$ 300 mil e Capitão Sulino os R$ 150 mil que contabiliza a UB nas suas candidaturas.


