Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Quando os governadores bolsonaristas caem fora de Bolsonaro no Covid-19, Mauro Carlesse decide dar uma força ilegítima ao Capitão

17/04/2021 1965 visualizações

Com 45 de atraso, o governador Mauro Carlesse decidiu reverberar a informação falaciosa de Jair Bolsonaro (em 28 de fevereiro) quando, para confrontar governadores do lockdown, divulgou os recursos que o governo federal teria encaminhado aos Estados para a Covid-19.

Os governadores, lógico, o refutaram apontando a mentira. Transferências constitucionais e determinadas pelo Congresso que Bolsonaro apropriava como sendo próprio de sua vontade política discricionária. O Tocantins teria sido contemplado com transferências de R$ 10,5 bilhões mais auxílios de R$ 2,28 bilhões. Apontei isto por aqui.

Mauro Carlesse, agora, agradeceu em vídeo Bolsonaro, dizendo que todas as UTIs foram possíveis graças à verba que Bolsonaro mandou. O Capitão, que não é bobo nem nada, publicou o vídeo na sua conta no twitter. Afinal um governador de Estado estaria aderindo ao bolsonarismo quando os governadores bolsonaristas dele se afastam.

Quando escrevi na terça que Carlesse tinha bolsonarado, muita gente achou exagerado. Não devem estar achando mais. Como é óbvio, ajudas atraem agradecimento e em o fazendo, Carlesse estaria cumprindo sua obrigação. E escolher um lado é próprio das democracias.

A questão reside é no objeto: Bolsonaro apenas cumpriu a lei ao transferir recursos constitucionais e os determinados pelo Congresso ao Estado. Não o fizesse, cometeria crime. Inclusive os auxílios onde a comunicação do governo federal colocou até o Bolsa Família. Não há verba excepcional que não seja as aprovadas pelo Congresso.

A declaração de Carlesse abre até mesmo brecha a questionamentos de outra ordem. Ora, se todas as UTIs Covid foram com recursos federais (extra-orçamentários), elas teriam sido habilitadas junto ao Ministério da Saúde, onde estaria o governo, assim, aplicando os recursos estaduais já que com todas as despesas (inclusive da Saúde) fechou o ano com superávit de primário de R$ 784 milhões (receitas – despesas) e nominal de R$ 429 milhões.

Tendo que abrir no ano créditos extraordinários de R$ 979 milhões em função do superávit financeiro (excesso de arrecadação). E só gastou em investimentos R$ 364 milhões (28% do previsto e apenas 3,3% do orçamento).

Mais: se os recursos eram federais, onde estaria o esforço do governo estadual para implantar as UTIs necessárias, argumento,inclusive, utilizado por deputados, como por exemplo, em Porto Nacional que ficou um ano sem UTIs. Seria o caso de apontar o dedo para Bolsonaro?

Em 2021, o governo arrecadou de janeiro a março (receitas totais), o valor de R$ 2,691 bilhões contra despesas totais (liquidadas) de R$ 2,150 bilhões. Ou seja, um saldo de receitas de R$ 541 milhões.

Isto aí é um desempenho superior ao de 2020 quando de janeiro a março o governo teve receitas totais de R$ 2,408 bilhões e despesas totais liquidadas de R$ 2,186 bilhões. Um saldo positivo de R$ 222 milhões.

Do ponto de vista político, isto tudo aí quando as pesquisas apontam para Lula. Pesquisa PoderData/Band divulgada ontem coloca Lula com 52% contra 34% de Bolsonaro no segundo turno. Ou seja, 18 pontos percentuais de diferença.

Carlesse poderia não ter outro lado, mas a distância até março indicaria prudência para composições partidárias. E, claro, para exposições desnecessárias que ao invés de atrair, expele.

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