O economista francês Thomas Piketty (em O Capital no século XXI/editora Intrínseca/2013) prega que haveria um processo de convergência, em âmbito mundial, em que os países emergentes reduzem seus atrasos em relação aos desenvolvidos.
Os fatos, entretanto, no Brasil, convergem para o contrário: a elevação das diferenças. E o Estado do Tocantins não poderia ser mais eloquente exemplo.
A sociedade política regional, é fato, é dada a apreciar, como práxis (e até no perímetro de sua prática) mais a retórica e o silêncio, por mais paradoxal que seja compatibilizar-se os dois. A debruçar-se sobre os números e enfrentá-los de modo a justificar (e até positivar) o economista francês.
Percebam:
O governo do Tocantins tem um orçamento (corrigido) para 2023 de R$ 13 bilhões. Ou: 23,2% do PIB de R$ 56 bilhões. Um orçamento per capita anual de R$ 8.610,00 para cada habitante. Ou ainda R$ 717,00 de orçamento mensal a cada cidadão (na população recente do IBGE de 1.511.459 habitantes no Estado).
Deste orçamento, R$ 5,4 bilhões serão retirados em impostos estaduais do bolso do contribuinte. Significa que cada cidadão do Tocantins (de mamando a caducando) tem uma dívida anual com o Estado de R$ 3.572,00. Ou seja, terá que pagar, cada um, ao poder público R$ 297,00 a cada 30 dias. Só de tributos estaduais.
Apesar disso aí, o Estado registrava em 2021 (último dado disponível no IBGE) o índice de 7,2% da população na extrema pobreza. Isto hoje seria 108 mil pessoas na extrema pobreza com renda de até R$ 100,00 mensais. Mas são mais.
No cadastro único de abri/23 (governo federal), entretanto, emolduravam a extrema pobreza declarados 355 mil tocantinenses. O triplo, como se nota, dois anos após. Apesar do PIB de R$ 56 milhões de 2023. Um PIB per capita de R$ 37 mil anuais!!! Um ganho de R$ 15 bilhões no PIB de 2021 a 2023, considerando o PIB de R$ 41,6 bilhões da LDO/22.
Agora a comparação:
O Estado de São Paulo com seu PIB/23 de R$ 2,3 trilhões, o governo tem um orçamento para 2023 de R$ 317 bilhões. Equivalente a 13,7% do PIB. Ou seja, um orçamento per capita de R$ 7.139,00 ano (R$ 549,00 mensais). De impostos estaduais, o paulista irá pagar R$ 254 bilhões. Ou seja, R$ 5.707,00 no ano para cada um dos 44 milhões de habitantes do Estado. Ou: R$ 475,00/mês.
São Paulo registrava em 2021 o índice de apenas 5,4% na extrema pobreza.
Resumindo: o governo do Tocantins tem um orçamento de 23,2% do PIB e 7,2% de sua população na extrema pobreza. São Paulo, com orçamento de 13,7% do PIB, tem apenas 4,2% na estrema pobreza.
De outro modo: gasta menos e tem menos pobres. O Tocantins gasta mais, e colhe mais extrema pobreza.


