O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) manifestou ontem preocupação com a invasão dos EUA à Venezuela. Sensibilidade e direito. Mas há outro ponto de observação.
Não entrou no mérito da invasão à soberania do país. Limitou-se a “torcer” para que os venezuelanos encontrem o caminho da paz. Uma forma atravessada de não criticar a invasão.
Mas passar de forma subjacente a impressão de que a critica. No caso em tela, a não crítica tem o sentido de apoio omissivo e comissivo.
São assertivas e escolhas excludentes e não tem sentido relativo.
Não há meio termo ou proporcionalidades. É soberania e direito internacional. Violação ou não.
Não aceita, o caso, o uso de uma espécie de psicologia descritiva de retorno às coisas mesmas decorrida uma invasão internacional ilegal.
E como o golpe dos EUA pode levar à debandada de mais venezuelanos para o país (e o Tocantins), o apoio subliminar de Wanderlei à invasão, na sua não condenação, dá a natureza de hipocrisia a preocupação do Governador - expressada na publicação - que se entristece ao ver venezuelanos andarilhos nas ruas das cidades do Estado.
A lógica indica que verá mais andarilhos venezuelanos pobres pelas ruas das cidades. Consequência da invasão que tergiversa no discurso. Só faltou comunicar o envio de cestas básicas.
Outros governadores de direita (como Wanderlei) defenderam-na vergonhosamente: Caiado (Goiás), Tarcísio (São Paulo), Ratinho (Paraná), Castro (Rio de Janeiro) e Zema (Minas Gerais).
Talvez apoiassem também se o ditador dos EUA decidisse, no ano passado, invadir o Brasil para recolocar Jair Bolsonaro na presidência.
Não faltou muito. Afinal defenderam o tarifaço aos produtos de exportação brasileiros e as sanções dos EUA aos ministros do STF em troca da anistia a Jair Bolsonaro.
Ex-presidente derrotado nas urnas e condenado a 27 anos por tentativa de dar um golpe na democracia brasilieira. Como Hugo Chavez e Nicolas Maduro deram na venezuelana.
Ademais, relações internacionais do país são competência dos senadores que representam as Unidades da Federação.
E no Tocantins, os três senadores guardaram um obsequioso silêncio. Um deles, candidato ao governo.
Como na vida, quem cala não sinaliza que discorda.


