A ampliação da vantagem de Lula sobre Bolsonaro (pesquisa Datafolha da última sexta) e a redução da rejeição ao ex-presidente na inversa medida do aumento da rejeição a Bolsonaro, deve acirrar no Estado a guerra de posições e movimentos do PT.
E, dela decorrente, por gravidade, a afirmação da possibilidade real de um candidato do partido poder convergir mais eleitores e votos suficientes para ganhar a eleição.
Ainda que não seja verdadeiro que, pela premissa principal colocada, a aceitação de Lula pudesse levar à conclusão mediata e imediata que o ex-presidente transferisse os votos aqui na mesma proporção dos seus indicadores nacionais.
De forma que a corrente Novo Brasil (CNB) – mais ligada ao pragmatismo lulista – intensifica sua guerrilha com incursões rápidas. Anunciou que tem um candidato (Paulo Mourão) e 48 horas após já circulava a adesão de quatro outras correntes ao projeto. Enquanto as outras correntes fazem um silêncio ensudercedor.
Uma guerra de posições dado que, das adesões, apenas uma corrente (Democracia Socialista) já não tinha afinidade com a CNB, de Mourão, Célio Moura, Zé Santana, Amália Santana, Freitas do PT, Rosimar Mendes e Donizetti Nogueira. Mas efetivamente indicação numérica de soma.
A DS estacionara com o grupo do deputado Zé Roberto que derrotou, por duas vezes seguidas, a corrente lulista na disputa pelo diretório regional. Zé Roberto ainda teria a seu lado o Movimento PT, Militância Socialista, Caminhos de Esquerda. Parecem espreitar "um inimigo" numa relação ao mesmo tempo autofágica e antropófaga, quase camicase.
Não há no partido, como é notório, radicalidades jacobinas. Por princípio, o PT não professa uma revolução passiva. Tanto que, regra geral, defende sua ideologia como um instrumento de mediação entre as instituições e a sociedade. Quando nas democracias ideologias não deveriam moldar ou emoldurar Estados.
De sorte que, tanto campo como território circunstanciais, deveriam atrair no partido uma hegemonia. E não correntes internas estranhando (na omissão, ação ou comissão) quando deveriam convergir em torno do nome mais palatável e experiente, do ponto de vista partidário e institucional representado por Paulo Mourão.
Deputado federal que já presidiu a Comissão de Orçamento da Câmara dos Deputados, ex-secretário de Estado, ex-prefeito e ex-deputado estadual. E que carrega o recall da última eleição majoritária no Estado quando saiu das urnas com 137 mil votos, o equivalente a 10,80% dos votos válidos.
Desempenho atrapalhado de forma inequívoca pela ação contrária das correntes internas que defendem Mourão quando lhes interessa. E quando não, o tratam como se fosse um alienígena da UDR infinita e indefinitivamente.
Uns vestais de Afrodite.


